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30 de abril de 2026
Por Tânia Rabello, enviada especial
Ribeirão Preto (SP), 30/04/2026 – A expectativa de crescimento de dois dígitos no seguro de máquinas agrícolas, mesmo diante de um mercado mais contido para equipamentos, dá o tom da participação do segmento de seguros do banco Bradesco na 31ª Agrishow, realizada até amanhã, em Ribeirão Preto (SP). Em entrevista ao Broadcast Agro, o CEO da Bradesco Auto/RE, Rodrigo Bacellar, afirmou que a companhia projeta manter a expansão na casa de 14% a 15% no segmento de seguros para o setor de máquinas agrícolas, sustentada pelo avanço da cultura de proteção no campo e pela ampliação da base segurada.
“O setor está em um momento delicado, com juros elevados, pressão de custos e impactos geopolíticos sobre insumos e logística. Mas o sentimento aqui é de que estamos próximos de um fundo do ciclo, com expectativa de recuperação já no próximo ano”, afirmou Bacellar. Segundo ele, a percepção positiva vem do contato direto com produtores e agentes do setor durante a feira. “A gente vê um produtor mais animado do que o cenário sugeriria, olhando para a frente”, disse.
Um dos principais vetores de crescimento para o mercado de seguros agro, na avaliação do executivo, é a baixa penetração deste produto no Brasil. Bacellar comparou o País com os Estados Unidos para ilustrar o potencial de expansão. “Nos Estados Unidos, cerca de 90% de toda a produção agrícola conta com algum tipo de proteção. No Brasil, esse número gira em torno de 15%. Não vamos chegar a 90% rapidamente, mas é plausível pensar em algo como 50% em dez anos”, afirmou ele, referindo-se tanto ao seguro de lavouras quanto de máquinas e equipamentos. Para ele, a ampliação desse mercado passa, sobretudo, por uma mudança cultural. “O desafio é conscientizar o produtor de que seguro não é custo, é proteção financeira. Em um setor de alto investimento como o agro, perder um equipamento sem cobertura pode comprometer toda a operação.”
Os números da companhia mostram que o segmento já avança mesmo em um cenário de vendas mais fracas de máquinas. De acordo com o diretor comercial da Bradesco Seguros, Leonardo Freitas, em nota do banco, a carteira de equipamentos agrícolas cresceu 14% em 2025, apesar de um mercado de máquinas praticamente estável. No acumulado desde 2020, a expansão chega a 141%. No ano passado, foram cerca de 63 mil máquinas seguradas, com alta de quase 10% sobre 2024, diz o banco, na nota. “A gente cresce em prêmio e em quantidade de itens segurados, mesmo com a venda de máquinas andando de lado. Isso mostra que há avanço na penetração do seguro”, disse Freitas.
Para 2026, segundo Bacellar, a expectativa é de manutenção do ritmo de crescimento em dois dígitos, mesmo com a perspectiva de queda ou estabilidade nas vendas de equipamentos. Na feira, a estratégia da seguradora está integrada à operação de crédito do banco. Equipamentos financiados nos estandes das montadoras de máquinas agrícolas contam com desconto médio de 15% no seguro, além de contratação imediata, no momento da compra. “A ideia é oferecer uma solução completa: financiamento e proteção no mesmo momento. Isso facilita a decisão do produtor e aumenta a adesão”, explica Bacellar.
A companhia também tem intensificado a atuação com corretores especializados e ações de educação financeira e securitária, como roadshows e encontros durante a feira. Os tratores lideram a carteira, representando mais de 50% dos equipamentos segurados, seguidos por colheitadeiras, pulverizadores e plantadeiras – o “quarteto básico” das propriedades agrícolas.
Em relação aos riscos, o principal gatilho de sinistros não é roubo, mas perda total por incêndio, comum em operações de campo sob altas temperaturas e uso intensivo durante a safra, descreve Bacellar. Ainda assim, o roubo de máquinas tem ganhado relevância. Segundo o executivo, houve aumento de cerca de 40% nos casos registrados em 2025 na comparação com o ano anterior. As taxas de seguro também vêm caindo com o aumento da concorrência e a pressão sobre a rentabilidade do produtor. Atualmente, o custo gira em torno de 0,85% a 0,9% do valor de uma colheitadeira e entre 0,55% e 0,6% para tratores. Além disso, segundo o executivo, as seguradoras têm flexibilizado condições de pagamento, com parcelamentos e prazos estendidos, para viabilizar a contratação. “Hoje, a questão é muito mais cultural do que financeira. Há alternativas para encaixar o seguro no fluxo do produtor”, disse Bacellar.
Apesar do avanço, o executivo reforça que o Brasil ainda enfrenta um desafio estrutural na difusão da cultura de seguros, não apenas no agro, mas em toda a economia. “Quando o produtor entende que o seguro garante tranquilidade e continuidade do negócio, ele passa a enxergar valor. O nosso papel é acelerar essa mudança de mentalidade”, afirmou.
Contato: tania.rabello@estadao.com
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