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Demanda local deve manter avanço de data centers no Brasil, mesmo sem ReData, diz setor

30 de abril de 2026

Por Aramis Merki II

São Paulo, 30/04/2026 – Sem o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (ReData), a indústria de infraestrutura digital no Brasil deve continuar crescendo, mas em um ritmo significativamente mais lento. Essa é a avaliação de Alessandro Lombardi, presidente da Elea Data Centers.

Um dos sinais de que o setor avança apesar da incerteza regulatória, diz, é que ainda há capital em busca de oportunidade no País. A própria Elea recebeu investimento do fundo de infraestrutura I Squared Capital, sediado nos Estados Unidos.

Para operadores do setor, o debate vai além da carga tributária e passa pela disputa global por infraestrutura capaz de suportar inteligência artificial (IA). Ricardo Alário Arantes, CEO para a América Latina da Odata, destaca que o uso atual dos data centers no Brasil – assim como em outros países da região – é para a demanda local de dados. “Veremos a indústria expandindo em um bom ritmo com os clientes locais, mas para crescer 70% ou 80%, como outros países, nós precisamos também exportar dados”, disse. Os executivos participaram de painel de evento do portal Tele Síntese, em Santana do Parnaíba (SP).

O ReData previa desoneração de impostos federais e facilitação na importação de equipamentos, com o objetivo de atrair investimentos e ampliar a capacidade computacional instalada no país. Instituído como Medida Provisória em 2025, o projeto que transformaria o projeto em lei não foi votado a tempo no Senado no início deste ano. Ainda assim, o segmento tem expectativa de que um novo Projeto de Lei seja pautado em breve.

A política é considerada prioritária pela área econômica do governo federal. De acordo com o Ministério da Economia, 60% dos dados consumidos no País são processados no exterior.

Mesmo sem o incentivo, fornecedores de tecnologia buscam alternativas para viabilizar projetos. A Dell, por exemplo, tem ampliado a produção local de equipamentos voltados a data centers, incluindo servidores e sistemas de armazenamento. Segundo Bruno Assaf, diretor da companhia para serviços de data center no Brasil, a estratégia permite reduzir custos e acelerar a adoção de infraestrutura de IA sem depender exclusivamente de benefícios fiscais.

Contato: Merki@Broadcast.com.br

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