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IFC investe na BEE4 para fomentar o acesso de PMEs ao mercado de capitais

29 de abril de 2026

Por Cynthia Decloedt

São Paulo, 28/04/2026 – A International Finance Corporation (IFC), membro do Grupo Banco Mundial, acaba de se juntar à BEE4, empresa de infraestrutura de mercado focada em pequenas e médias empresas (PMEs). Um investimento de valor não revelado está sendo feito e a parceria tem por objetivo fomentar e inovar o acesso de empresas menores ao mercado de capitais, além de atrair recursos de investidores globais. A BEE4 tem também a Nuclea, maior fornecedora infraestrutura bancária do País, como outro grande investidor, além do Grupo Solum como acionista.

Os sócios da BEE4 preveem uma agenda ampla daqui em diante, apoiada no Regime Fácil da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que criou regras para o acesso de PMEs ao mercado de capitais e que a companhia ajudou a desenhar. Nesta agenda está previsto ainda suporte técnico da IFC para o desenvolvimento de novos produtos e estruturas financeiras da BEE4, como a estruturação de operações, incluindo ancoragem (anchor programs), garantias parciais e soluções alinhadas às melhores práticas internacionais.

“Essa parceria com a IFC nos leva a um novo patamar e temos planos audaciosos para acelerar o desenvolvimento do segmento de PMEs no Brasil”, disse a cofundadora e CEO da BEE4, Patricia Stille.

Para a IFC, o grande tema é o potencial de estreitamento de uma lacuna no acesso ao capital por empresas menores, contribuindo, dessa forma, para a sustentabilidade dessas companhias e, portanto, criando uma maior capacidade de geração de empregos. Nesse sentido, o que chama a atenção da IFC na BEE4 é sua infraestrutura de soluções de financiamento, envolvendo propostas disruptivas, como a tecnologia blockchain, e propostas de inovação regulatórias.

“Nosso apoio à BEE4 reflete o compromisso da IFC com soluções reguladas pioneiras que modernizam os mercados de capitais por meio de infraestrutura escalável, passível de replicação em economias emergentes”, disse o diretor global da área de Capital de Risco e Investimento Direto da IFC, Mohamed Eissa.

Segundo ele, a IFC já tem investido em empresas de soluções de pagamento e soluções de crédito para dar suporte às PMEs no acesso a esses serviços e está empenhada em oferecer maior apoio às PMEs em produtos de inovação financeira, o que envolve a tokenização, entre outros processos. “Se as PMES conseguem ter mais acesso a liquidez, se tornam mais rentáveis e sustentáveis e, ao final, serão geradoras de mais empregos”, acrescentou.

Ações

Em 2024, a BEE4 deu início à oferta de ações tokenizadas de pequenas e médias empresas ao mercado, tendo o Itaú Private Bank como uma das corretoras, sendo a primeira vez que o banco levou esse tipo de ativo aos seus clientes. Em março deste ano, a BEE4 viabilizou a primeira operação de emissão de títulos de dívida pelo Regime Fácil, estruturada pelo Itaú BBA para a Mais Mu, companhia de suprimentos alimentares.

O cofundador e chairman da BEE4, Rodrigo Fiszman, afirma que tem expectativa de que 15 empresas estejam efetivamente registradas e aptas a realizar operações via Regime Fácil este ano. Segundo ele, essas são companhias que foram selecionadas no ano passado, em um programa de Reality Show promovido pela BEE4. Ele acredita que essas companhias irão ao mercado de dívida em um primeiro momento, focadas em não ser uma companhia aberta, mas tomando recursos junto a investidores profissionais, tendo o mercado de ações como um segundo passo.

O Brasil é responsável pelo maior programa de investimentos da IFC globalmente, envolvendo capital próprio e mobilização de recursos privados e públicos, além de representar seu segundo maior portfólio. No ano fiscal de 2025, a IFC investiu cerca de US$ 11,6 bilhões no Brasil.

A executiva sênior da IFC para o Brasil, Luciana Galan, acrescentou que a inclusão financeira e o desenvolvimento de sua infraestrutura, assim como do mercado de capitais, são relevantes na missão da IFC de desenvolvimento sustentável com geração de empregos. Ela lembrou que as PMEs respondem globalmente por mais de 50% dos empregos, enquanto em economias emergentes sua contribuição pode alcançar 40% do Produto Interno Bruto (PIB).

O acordo entre a IFC e a BEE4 foi fechado em março e contou com o escritório FMA Law (Fonseca Marques Advogados) como assessor jurídico líder.

Contato: cynthia.decloedt@estadao.com

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