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6 de março de 2026
Por Gabriel Azevedo
São Paulo, 06/03/2026 – O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã ocorre no período de maior volume de importação de fertilizantes pelos Estados Unidos, entre março e maio, quando produtores de milho finalizam os preparativos para o plantio de primavera. Em análise publicada ontem (5), a economista Gretchen Kuck, da Associação Nacional de Produtores de Milho dos Estados Unidos (NCGA, na sigla em inglês), afirma que a interrupção das rotas no Golfo pode afetar o fluxo global de nitrogenados e fosfatados usados na safra americana.
“O aumento do risco geopolítico e da incerteza estão, mais uma vez, colocando os mercados de fertilizantes e a economia da produção de milho em risco”, escreveu Kuck. Para ela, o conflito não é um evento novo, mas uma agravante sobre condições já difíceis: os preços dos fertilizantes já pressionavam os resultados das fazendas desde a invasão russa da Ucrânia, quatro anos atrás.
O bloqueio físico das rotas é o primeiro problema. Antes da guerra, quase metade do comércio marítimo mundial de nitrogênio passava pelo Estreito, proveniente de Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Irã. O fosfato enfrenta situação semelhante, com os principais fornecedores da região excluídos temporariamente da equação global de oferta. O impacto reverberou imediatamente em mercados que já operavam com oferta restrita, segundo a economista.
O segundo problema é o custo de energia. O Catar, um dos maiores fornecedores globais de gás natural liquefeito, interrompeu a produção após ataques, levando os preços do GNL a recordes na Europa e na Ásia, com alta de cerca de 50%. O gás natural é insumo essencial no processo de produção de amônia e de fertilizantes nitrogenados. “Mesmo a produção não afetada diretamente pelo bloqueio do Golfo Pérsico provavelmente sofrerá impactos indiretos pelo aumento dos custos de energia”, escreveu Kuck.
O timing agrava tudo. Uma carga embarcada no Oriente Médio leva entre 30 e 45 dias para chegar ao porto de Nova Orleans, o que significa que os navios destinados às importações de março e abril precisariam ter sido carregados entre janeiro e março, janela que coincide com a escalada do conflito. “Isso torna o momento do conflito crucial para o fim do ciclo de importação”, afirma a economista.
O mercado americano chegou ao conflito já fragilizado. Após a imposição de tarifas em abril de 2025, as importações de fosfato caíram 25% em relação ao ano anterior. No nitrogenado, os volumes se mantiveram, mas com forte concentração na Rússia, que respondeu por alta de 46% nas compras americanas. A exclusão dos parceiros do Oriente Médio reduz ainda mais as alternativas, especialmente se a Rússia também enfrentar restrições.
O presidente americano Donald Trump estimou que o conflito deve durar de quatro a cinco semanas ou mais e autorizou a Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos EUA a oferecer seguro de risco político para viabilizar a travessia do Estreito. Grandes empresas de navegação, porém, já afirmaram que seus navios não vão transitar pela região, com ou sem seguro.
Para os produtores de milho, o efeito final depende de quanto de fertilizante cada um ainda precisa comprar para a próxima safra e por quanto tempo o Estreito permanecer fechado. “A disponibilidade de fertilizantes e a volatilidade de preços estão se tornando variáveis-chave ainda mais importantes que vão moldar a lucratividade do milho rumo à safra de 2026”, concluiu Kuck.
Contato: gabriel.azevedo@estadao.com
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