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Goldman Sachs eleva preço do petróleo e vê 2026 como último ano da atual onda de oferta

23 de fevereiro de 2026

Por Gabriela da Cunha

Rio, 23/02/2026 – O Goldman Sachs revisou para cima sua projeção de preços do petróleo, mesmo mantendo a estimativa de superávit global de 2,3 milhões de barris por dia em 2026. O banco elevou em US$ 6 sua estimativa para o Brent e WTI no quarto trimestre de 2026, para US$ 60/56, e projeta preços médios alcançando US$ 70/66 em dezembro de 2027. O ajuste se deve à combinação de estoques da OCDE em queda, prêmio de risco geopolítico persistente e superávit global inalterado.

A previsão embute um prêmio de risco de US$ 6 que deve se dissipar gradualmente caso as tensões no Oriente Médio arrefeçam – a análise não incorpora qualquer corte efetivo de oferta iraniana -, enquanto o preço justo cairia US$ 5 à medida que os estoques da OCDE voltem a subir.

O banco argumenta que, embora o excedente de oferta permaneça inalterado, apenas 19% dele deve aparecer nos estoques comerciais da OCDE – antes esperavam 27%. O cenário adotado pelo Goldman Sachs aponta que cerca de 25% do superávit global provavelmente será estocado em alto-mar como petróleo russo ou iraniano sancionado, reduzindo a oferta efetivamente disponível.

O Goldman Sachs vê espaço para a Opep adotar uma reversão dos cortes voluntários a partir do segundo trimestre, acrescentando 140 mil barris por dia (mb/d) em abril, maio e junho, ao considerar a produção combinada de Estados Unidos, Brasil, Guiana, Canadá e Argentina, que registrou um avanço de 2,5 milhões de barris diários (mb/d) na comparação anual de janeiro, e a capacidade ociosa de Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait. Na projeção do banco, 2026 será o último ano da “onda de oferta”, enquanto o cenário em 2027 deve apresentar demanda sólida e expansão mais lenta da produção dos países não pertencentes à Opep.

Com a produção combinada de Estados Unidos, Brasil, Guiana, Canadá e Argentina registrando um avanço de 2,5 mb/d na comparação anual de janeiro, ajudando a sustentar o excedente, e Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait com capacidade ociosa significativa, o banco vê espaço para a Opep adotar uma reversão dos cortes voluntários a partir do segundo trimestre, acrescentando 140 mil barris por dia (mb/d) em abril, maio e junho. Na projeção do banco, 2026 será o último ano da “onda de oferta”, enquanto o cenário em 2027 deve apresentar demanda sólida e expansão mais lenta da produção dos países não pertencentes à OPEP.

No longo prazo, a projeção de Brent a US$ 75 e WTI a US$ 71 em 2030 permanece acima das curvas futuras, apoiada na perspectiva de crescimento contínuo da demanda após anos de baixo investimento de longo prazo.

Contudo, o relatório alerta para choques bilaterais: um corte de 1 mb/d nas exportações iranianas por 12 meses acrescentaria US$ 8 ao “valor justo” do barril, enquanto um eventual alívio simultâneo de sanções a Irã e Rússia poderia retirar entre US$ 5 e US$ 8 dos preços. Um bloqueio total e prolongado do Estreito de Ormuz é visto como cenário extremo, dada a magnitude do choque econômico global.

contato: gabriela.cunha@estadao.com

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