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Entrevista/Bradesco/Noronha: ‘até aqui, não sabemos o tamanho do impacto’ do banco Master

21 de novembro de 2025

Por Aline Bronzati, correspondente

Nova York, 21/11/2025 – O presidente do Bradesco, Marcelo Noronha, descarta risco sistêmico por conta da liquidação do banco Master, mas diz que é preciso esperar para saber os efeitos e as lições que ficarão. “Até aqui, não sabemos o tamanho do impacto. Hoje, tudo é especulação”, afirma, em entrevista à Broadcast, durante evento do Bradesco BBI, em Nova York.

Perto de completar dois anos à frente do Bradesco, o banqueiro afirma que sua gestão avança “step by step”. Na área de tecnologia, o banco deu um salto triplo e hoje realiza em horas o que antes levava semanas. Além disso, passou a focar linhas de crédito com mais garantia e rentabilidade sustentável, enquanto criou ou reforçou novas áreas, como o segmento Principal, voltado a clientes de renda mais alta, cuja meta é atingir 300 mil correntistas neste ano e 800 mil em 2026. A seguir, a segunda parte da entrevista:

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Foto: Diego Pisante

Broadcast: O desfecho do banco Master representa algum risco sistêmico ao sistema financeiro nacional?

Noronha: Do ponto de vista de risco sistêmico, é nulo. O mercado funcionou sem problemas.

Broadcast: Qual a lição que o Master deixa porque o banco Master cresceu muito em cima do marketing da proteção do FGC?

Noronha: Precisamos esperar, porque, quando há um processo de liquidação, o Banco Central vai indicar quem irá conduzir o processo e olhar para os números. Todo mundo fala do passivo. E o ativo? Quanto há para receber? Temos de esperar para saber qual será o tamanho do eventual descasamento de ativos e passivos pelo liquidante/BC e da cobertura pelo FGC formalmente. A regulação do FGC prevê determinados tipos de cobertura, mas o Fundo pode decidir por liquidez em prazos e instrumentos distintos. Até aqui, não sabemos o tamanho do impacto. Hoje, tudo é especulação.

Broadcast: O senhor está prestes a completar dois anos na presidência do Bradesco de um plano de cinco anos. Qual a sua avaliação dos resultados até agora?

Noronha: A avaliação é positiva. Temos entregado o que nos comprometemos, ‘step by step’. Crescemos três vezes as aplicações tecnológicas, mas não aumentamos o investimento e a estrutura na mesma proporção. Ganhamos produtividade, reforçamos o time e o que empurra os negócios são as ferramentas próprias de GenAI – inteligência artificial generativa. Isso é uma revolução colossal. O que antes entregávamos em uma semana, hoje, estamos fazendo em horas. Também incrementamos a equipe de crédito em mais de 200 pessoas.

Broadcast: E quanto ao Principal, o novo segmento para clientes de renda mais elevada?

Noronha: Vamos terminar este ano com 62 escritórios e cerca de 300 mil clientes. E miramos 800 mil clientes no fim do ano que vem. Já no Prime, vamos para mais de 4 milhões de clientes no ano que vem.

Broadcast: O que está faltando?

Noronha: Continuar entregando. O resultado do último trimestre encostou bem no custo de capital. Em algum momento dos próximos três anos, vamos superá-lo. O foco é ganhar competitividade no curto e longo prazos, rentabilidade e fidelização muito maiores. Isso não acontece da noite para o dia, mas com o tempo. O segmento de pequena e média empresa é o que mais vai crescer no Brasil até 2028.

Broadcast: Qual tamanho o Bradesco quer ter neste mercado?

Noronha: O banco não vai comprar market share e não ter rentabilidade. Queremos ser líder e vamos brigar, e pode ser luta livre, boxe, jiu-jítsu. Estamos entregando experiências melhores, um gerenciamento diferente de risco de crédito e implementamos um novo app começando pelas pequenas empresas e vamos avançar para as médias ao longo do próximo semestre.

Broadcast: Quando o Bradesco vai voltar a ter a rentabilidade do passado?

Noronha: Com o tempo. Eu não faço promessas; eu entrego. Não abro mão de aumentar a competitividade. Quero deixar este banco em um nível de competitividade brutal, à frente, como já vemos em tecnologia.

Broadcast: As operações nos EUA já estão neste patamar?

Noronha: Estão decolando cada vez mais. Estamos fazendo uma transformação tal qual no Brasil.

Contato: aline.bronzati@estadao.com

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