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XP: BC deve adotar comunicado mais hawkish e piorar balanço de riscos para inflação nesta quarta

27 de abril de 2026

Por Arícia Martins

São Paulo, 27/04/2026 – A decisão de juros desta semana do Banco Central, para a qual a expectativa é de redução da Selic em 0,25 ponto porcentual, deve ser acompanhada de um comunicado mais duro do que o anterior, mas sem sinalizar claramente os próximos passos do Comitê de Política Monetária (Copom). A avaliação é da XP Investimentos, para quem o fluxo de dados e notícias desde a última reunião do comitê piorou as perspectivas para a inflação.

Em relatório pré-Copom publicado hoje, a equipe econômica chefiada por Caio Megale observa que o choque do petróleo pressionou os preços no curto prazo, que o efeito das medidas do governo para mitigar a alta da commodity é incerto e que, como consequência, as expectativas inflacionárias se deterioraram mais.

Segundo os economistas, a previsão maior do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2026, que avançou de 4,10% no último encontro do colegiado para 4,86% hoje, era esperada, diante da intensificação do choque de energia. “Contudo, as expectativas de médio prazo também avançaram: a projeção para 2027 subiu 0,2 ponto porcentual, enquanto a de 2028 aumentou 0,1 ponto. Esse é precisamente o tipo de movimento que um banco central deve, idealmente, evitar diante de um choque inflacionário temporário”, afirmam.

Do lado da atividade, a plataforma de investimentos aponta que a economia brasileira está passando por um choque de demanda, devido ao impacto das medidas de estímulo anunciadas pelo governo, o que é um vetor altista adicional para a inflação. Para a XP, o PIB deve ter crescido 4% em termos anualizados no primeiro trimestre e deve continuar em território positivo ao longo do ano.

O câmbio, por outro lado, funciona como um amortecedor para a dinâmica de preços, diz a XP, com o real acumulando apreciação de cerca de 9% no acumulado do ano frente ao dólar. Considerando um coeficiente de repasse cambial de curto prazo próximo a 8%, a instituição estima que o movimento reduziria o IPCA de 2026 em cerca de 0,7 ponto, contribuindo também para conter a inércia inflacionária em 2027.

Cenário de referência

Nas projeções da XP, a projeção do BC para a alta do IPCA em seu cenário de referência vai aumentar de 3,9% na reunião de março do Copom para 4,5%, ao incorporar surpresas com a inflação corrente. Já a estimativa para o atual horizonte relevante da política monetária – agora, o final de 2027 – deve subir 0,1 ponto, para 3,4%. “Reforçamos que o grau de incerteza em torno das projeções do Copom está acima do usual, dada a falta de clareza sobre os desdobramentos do conflito no Oriente Médio”, pondera a casa.

Mais conservador

Levando em conta a piora do quadro inflacionário, os economistas da XP avaliam que o balanço de riscos da autoridade monetária para a inflação será alterado, ficando assimétrico para cima de forma mais explícita. No mês passado, o BC apontou que “os riscos para os cenários de inflação, tanto para cima quanto para baixo, que já se encontravam acima do usual, se intensificaram após o início dos conflitos no Oriente Médio”.

Já a comunicação deve adotar um tom mais “hawkish”, reforçando a necessidade de uma condução cautelosa da política monetária. O tom, no entanto, não deve ser suficientemente duro a ponto de sinalizar possível interrupção do ciclo de calibração da Selic na próxima decisão do Copom, afirmam os analistas.

Contato: aricia.martins@estadao.com

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