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20 de março de 2026
Por Júlia Pestana
São Paulo – A Vivara entrou no atual ciclo de alta do ouro com um amortecedor: um nível elevado de estoques que permite à companhia alongar o repasse da valorização da commodity aos preços finais e reduzir a pressão imediata sobre as margens.
Segundo o presidente da companhia, Thiago Borges, a combinação entre custo médio do metal já adquirido e o ritmo de reposição dá à empresa um horizonte de até 18 meses para absorver o impacto das cotações mais recentes. “A combinação desses dois fatores alonga o tempo até que os preços atuais da commodity impactem os custos”, afirmou na quinta-feira, 19, em teleconferência.
A empresa mantém cerca de oito meses de estoque de ouro em matéria-prima, além de volumes relevantes em produtos acabados. Na prática, isso cria uma defasagem entre o preço corrente da commodity e o custo efetivo da produção, abrindo espaço para ajustes graduais na estratégia comercial. “Isso dá um fôlego maior para trabalhar o posicionamento de marca e preço sem precisar reagir de forma abrupta”, disse.
O movimento ocorre em um momento de forte oscilação do ouro no mercado internacional. Ontem, o contrato mais líquido do metal tombou 5,9% (US$ 4.605,7 por onça-troy), na esteira da guerra no Oriente Médio. No acumulado deste ano, contudo, o ouro ainda acumula alta de 6,75%.
Caixa
Mais do que um amortecedor, o nível de estoques passou a ser também uma alavanca para melhorar a geração de caixa. A Vivara encerrou 2025 com R$ 1,48 bilhão em estoques, redução de R$ 144 milhões na comparação trimestral, em um processo de ajuste do capital de giro.
Em dias, o indicador caiu 35 dias em relação ao ano anterior, embora ainda permaneça elevado, em cerca de 537 dias, nível que sustenta a atual flexibilidade na gestão de preços.
No quarto trimestre, o fluxo de caixa operacional somou R$ 378,6 milhões, impulsionado justamente pela redução do capital de giro e pela otimização dos estoques.
A estratégia agora é avançar neste processo. Segundo o diretor de operações, Cassiano Lemos, a companhia pretende reduzir pela metade os estoques de ouro ao longo de 2026, ajustando o nível de cobertura a um intervalo mais próximo do histórico. “Isso diminui a necessidade de compra junto a fornecedores no segundo semestre”, afirmou.
Atualmente, cerca de dois terços do estoque estão concentrados em produtos acabados, enquanto o restante corresponde à matéria-prima. Para reduzir esse volume, a empresa vem revisando o sortimento, ajustando o abastecimento das lojas e ampliando a visibilidade de demanda.
O plano inclui ainda a realocação de peças entre lojas e o reaproveitamento de itens de menor giro, com iniciativas que passam até pelo derretimento de produtos. “Há um trabalho contínuo de redistribuição e até derretimento de produtos com menor performance”, acrescentou.
No quarto trimestre, o lucro líquido ajustado foi de R$ 264,8 milhões, alta de 28,5% em relação a igual período de 2024. Enquanto isso, no acumulado do ano, o lucro ajustado somou R$ 599,7 milhões, avanço anual de 22,6%. Os papéis da joalheria chegaram a cair 5% durante o pregão de ontem, mas retomaram fôlego e fecharam em alta de 1,42% (R$ 25,04).
Engenharia
Apesar do espaço para repasses, a companhia indica que o aumento de preços não é a principal resposta à alta do ouro. A prioridade, segundo Borges, está em ajustes internos para preservar margens.
“Antes de pensar em repassar preço, nós busca alternativas dentro de casa para mitigar esse efeito”, disse o CEO.
Entre as iniciativas estão mudanças na engenharia de produtos, com peças mais leves e uso mais eficiente de matéria-prima, além da adoção de tecnologias produtivas. A fundição direta, por exemplo, permite reduzir em até 30% o uso de ouro sem perda de valor percebido pelo consumidor.
A empresa também tem ajustado o mix de produtos e ampliado a produção própria, explorando diferentes metais e categorias para diluir o impacto da commodity.
Na marca Life, mais exposta ao consumidor de entrada e a produtos comparáveis, a sensibilidade a preço é maior, o que exige uma abordagem mais cautelosa. Já nas linhas de maior valor agregado, a companhia enxerga mais espaço para ajustes sem impacto relevante em volume.
No quarto trimestre de 2025, a Vivara optou por priorizar ganho de participação de mercado, intensificando promoções e postergando parte do repasse de preços para 2026, estratégia que sustentou as vendas, mas pressionou as margens. O foco agora passa a ser reequilibrar esse crescimento com a recuperação da rentabilidade.
Contato: julia.pestana@estadao.com
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