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23 de janeiro de 2026
Por Elisa Calmon
São Paulo, 23/01/2026 – O UBS BB elevou a recomendação para as ações da Sabesp de Neutra para Compra. Já o preço-alvo subiu de R$ 162 para R$ 169, potencial alta de 25% ante o último fechamento. Para os analistas, a situação hídrica atual não justifica as quedas recentes do papel, enquanto a repetição da crise de 2014-2015 parece pouco provável.
“As preocupações dos investidores com a escassez de água para a Sabesp levaram a um desempenho inferior de suas ações, e não acreditamos que a situação atual justifique a reação do mercado, considerando os preços atuais das ações como uma oportunidade de entrada atraente”, afirmam os analistas Giuliano Ajeje e Henrique Simões.
A dupla destaca que a empresa possui fatores regulatórios atenuantes. Entre eles, o fato de que o baixo volume potencial em um ano seria usado para calcular tarifas mais altas no futuro, além do potencial rebalanceamento decorrente de eventos extremos.
“Acreditamos que o nível de chuvas nos próximos três a quatro meses poderá ser um catalisador para as ações”, complementam.
Os analistas afirmam ainda que apesar das preocupações de alguns investidores de que os níveis atuais dos reservatórios possam levar a um cenário semelhante ao de 2014/15, o episódio parece um caso extremo.
Eles argumentam que o sistema de faixas da ANA/DAEE, voltado à preservação dos reservatórios, foi implementado em 2017, o que significa que condições climáticas semelhantes às da época tenderiam hoje a resultar em níveis de armazenamento mais elevados. Além disso, o sistema de faixas da Arsesp, que estabelece níveis crescentes de Gestão da Demanda Noturna (GDN) de acordo com o volume dos reservatórios, entrou em vigor no ano passado, contribuindo para a redução de perdas de água.
Por fim, a escassez hídrica de 2014-2015 foi mais severa do que a atual: o Sistema Cantareira permaneceu abaixo de 20% do volume útil por 326 dias em 2014 e durante todos os 365 dias de 2015, chegando inclusive a volumes negativos de até 24%, enquanto em 2025 essa condição ocorreu por apenas quatro dias.
“Diante desse contexto, consideramos pouco provável a repetição da crise de 2014-2015. Ainda assim, simulamos esse cenário como teste de estresse”, reforçam.
Caso esse impacto se repetisse, a equipe do UBS BB estima uma redução não recorrente de R$ 3,2 bilhões no EBITDA de 2027. Considerando a alíquota efetiva de imposto, o impacto líquido seria de R$ 2,2 bilhões, ou R$ 3,3 por ação, equivalente a cerca de 2,5% do valor de mercado.
“Trata-se de um efeito limitado quando comparado ao desempenho recente da ação, que subiu apenas 5% desde o fim de setembro de 2025, quando o Cantareira entrou na faixa de restrição, contra altas de 38% da Copasa, 23% da Sanepar e 18% do Ibovespa”, finalizam.
Contato: elisa.ferreira@estadao.com
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