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Tarcísio questiona tornozeleira e chama prisão domiciliar de Bolsonaro de ‘questão humanitária’

25 de novembro de 2025

Por Geovani Bucci

São Paulo, 25/11/2025 – O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou ter recebido com tristeza a notícia do início do cumprimento da pena do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Polícia Federal (PF) de Brasília e disse confiar “plenamente” na inocência do aliado. Em conversa com jornalistas no Palácio dos Bandeirantes nesta terça-feira, 25, o republicano classificou a prisão domiciliar do capitão reformado como “questão humanitária” e salientou que pretende atuar pela aprovação de uma anistia.

“Trabalhei com o presidente, conheci o presidente. Sei da boa intenção, do bom propósito. Uma pessoa que sempre procurou fazer o melhor. Acho que tudo isso que está acontecendo é injusto e confio que o tempo vai esclarecer toda a verdade”, disse Tarcísio. “Confio que um dia isso vai ser esclarecido e que a gente vai ver o presidente solto novamente.”

Ele voltou a defender abertamente a anistia a Bolsonaro, salientando que fará “muitas conversas com muita gente”, inclusive no Supremo Tribunal Federal (STF), em defesa da manutenção da prisão domiciliar. Segundo ele, a dedicação ao ex-presidente não será apenas política, mas pessoal. “Vou visitá-lo quantas vezes forem necessárias para prestar a minha solidariedade e o meu apoio”, disse.

Ele citou a idade de Bolsonaro, as sequelas do atentado de 2018 e a necessidade de cuidados médicos contínuos como argumentos para que ele permaneça em casa. Tarcísio destacou que Bolsonaro tem 70 anos, enfrenta soluços persistentes, já passou por sete cirurgias no abdômen, necessita de alimentação especial e ainda “corre risco de broncoaspirar”.

O governador também questionou ainda a tornozeleira eletrônica que Bolsonaro tentou danificar com ferro quente. Para ele, o equipamento era “desnecessário” tendo em vista as condições e o cargo que o capitão ocupou entre 2018 e 2022. Segundo Tarcísio, o episódio deve ser visto como fruto de “oscilações de consciência” motivadas por estresse extremo

“Ele já estava preso em casa, ele estava na prisão domiciliar. Qual a necessidade de ter uma tornozeleira, se ele tem uma escolta, uma vigilância 24 horas por dia?”, continuou. “Uma pessoa que convive com soluços intermináveis, perde a qualidade do sono, toma remédios, e aí você tem interação medicamentosa. É uma pessoa que acaba tendo oscilações de consciência. Foi um momento de oscilação, de alguém que está fora de si, passando por extremo estresse, extrema aprovação, e acabou mexendo na tornozeleira”, acrescentou.

Tarcísio afirmou manter diálogo frequente com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e que deve assumir protagonismo nas articulações pela anistia. “Vou trabalhar para que a anistia seja pautada e aprovada. Não estou preocupado com desgaste.”

Contato: geovani.bucci@estadao.com

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