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Tarcísio diz que ‘Times Square paulista’ não fere Cidade Limpa e até críticos irão frequentar

23 de abril de 2026

Por Geovani Bucci

São Paulo, 23/04/2026 – O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quinta-feira, 23, que até críticos do projeto Boulevard São João – apelidado de “Times Square paulista” – deverão frequentar a região após a conclusão das obras. O início das operações está previsto para ocorrer entre o fim de agosto e o começo de setembro.

“Até quem critica vai dar uma passadinha lá, porque isso já acontece. A turma que fala mal muitas vezes, é a mesma turma que de vez em quando está ali no Mar Brahma, que está no Copan”, disse Tarcísio. “É assim mesmo, a gente está acostumado, não tem problema, o importante é a experiência que as pessoas vão ter, é ver que as pessoas estão voltando a circular

As declarações foram feitas em coletiva de imprensa na Associação Comercial de São Paulo (ACSP), ao lado do prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), aliado de Tarcísio. A proposta se insere na agenda de ano eleitoral do governador, que buscará a reeleição e tem intensificado a comunicação em torno da revitalização do centro paulistano por meio de parcerias com a iniciativa privada.

Outras apostas do governador incluem o novo Centro Administrativo Campos Elíseos, leiloado em 26 de fevereiro na B3, com investimento estimado em R$ 6 bilhões, e a divulgação do que classifica como “fim da Cracolândia”. Também integra essa agenda a proposta de transformar a área da Favela do Moinho, atualmente em processo de desapropriação, em parque e estação de trem – iniciativa que gerou embate com o governo federal e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Quando a gente fala na revitalização do centro, no resgate do centro, a gente tem que pensar nesse somatório de projetos e não considerar simplesmente projetos isolados”, salientou o governador.

Parceria com iniciativa privada

O projeto Boulevard São João, inicialmente conduzido apenas pela Prefeitura de São Paulo, prevê uma parceria com a iniciativa privada para a instalação de quatro painéis de LED em edifícios do centro histórico da capital. Os equipamentos devem ser instalados no Cine Paris República (Av. Ipiranga, 808), no Edifício Herculano de Almeida (Av. Ipiranga, 890), na Galeria Sampa (Av. São João, 604) e no Edifício New York (Av. Ipiranga, 855), além da realização de projeção mapeada noturna no Edifício Independência, onde funciona o Bar Brahma. A intervenção abrange o trecho entre a Praça Antônio Prado, o Largo do Paissandú e a Praça Júlio Mesquita.

A proposta é de autoria da Fábrica de Bares, grupo responsável por estabelecimentos como Bar Brahma, Bar Léo, Riviera e Bar dos Arcos. O termo de cooperação entre a prefeitura e a empresa responsável pela execução do projeto, a FDB Digital Participações Ltda, foi assinado ao final de reunião no Palácio dos Bandeirantes entre Tarcísio e Nunes na quarta-feira, 22, às 17 horas. A execução ficará a cargo do Estúdio Sarasá, especializado em conservação, restauro e zeladoria do patrimônio cultural.

Tarcísio publicou um vídeo na quarta-feira, 22, onde comentou o projeto pela primeira vez. “Acho que a gente (governo estadual) tem um papel muito relevante na questão do estabelecimento da segurança pública, na questão do monitoramento das câmeras, do efetivo policial, garantir a segurança pública”, disse o governador ao longo da coletiva.

Pelas regras apresentadas, os painéis poderão operar das 5h às 23h e terão ajuste automático de luminosidade, simulação de ofuscamento e restrições para não interferir na sinalização viária, além de vetar publicidade de varejo (como anúncios com preço), apostas e conteúdo adulto.

A proposta também estabelece uma divisão de conteúdo – cerca de 70% voltado a artes digitais e eventos culturais e 30% destinado a comunicação de patrocinadores – e aposta em curadoria contínua, parcerias com veículos, influenciadores e aprovação junto à CPPU, com quatro “editorias” fixas (“Acontece no Centro”, “Acontece em São Paulo”, “Arte na tela” e “Conteúdo ao vivo”).

Para sustentar a ocupação do espaço público, o plano prevê calendário anual de festivais (do Aniversário de São Paulo, em janeiro, ao Natal, em dezembro) e programação regular com fechamento de vias para carros aos fins de semana – aos sábados a partir das 18h e aos domingos até as 23h -, vendendo a iniciativa como estratégia de requalificação, segurança e pertencimento para o “novo centro”.

A contrapartida financeira da iniciativa privada foi fixada em R$ 6 milhões ao longo de três anos, conforme aprovado em reunião extraordinária da Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU), realizada em março. O valor foi definido pela própria empresa parceira, sem um modelo preestabelecido. A FDB não detalhou a estimativa de receita com a comercialização dos espaços publicitários, mas informou previsão de investimento total de R$ 39 milhões.

Cidade Limpa

Todavia, a proposta se apoia em dispositivo da Lei Cidade Limpa, de 2006, que proíbe publicidade externa em fachadas, mas abre exceção para parcerias com a iniciativa privada que envolvam anúncios em troca de melhorias urbanas, como restauração de bens públicos. Ainda não há embasamento sólido nesse sentido, cuja viabilidade baseia-se na exceção da lei criada durante a gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD).

“Não é um desrespeito à Lei da Cidade Limpa. Estamos falando de um local onde as pessoas vão poder viver a experiência de uma cidade com música, arte, cultura. A gente está falando de vida, de circulação de pessoas”, disse Tarcísio.

Nunes afirmou que a prefeitura vai levar o projeto adiante após cumprir todo o processo exigido pela legislação. “Ninguém acabou com a lei da cidade limpa. A lei da cidade limpa é uma lei aprovada, é uma lei que tem o apoio popular, tem o apoio do Tarcísio, tem o meu apoio, tem o nosso apoio e que não existe nenhuma hipótese de acabar a lei da cidade limpa”, disse Nunes.

Contato: geovani.bucci@estadao.com

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