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26 de fevereiro de 2026
Por Geovani Bucci e Circe Bonatelli
São Paulo, 26/02/2026 – O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), criticou nesta quinta-feira, 26, as pessoas que afirmam que a Cracolândia não foi extinta, apenas se espalhou, em discurso após o leilão do novo Centro Administrativo do Estado. Com investimentos estimados em R$ 6 bilhões, o pregão foi realizado na Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, na capital paulista.
“Pessoas acham que (a Cracolândia) sumiu porque foi milagre, porque espalharam. Não acompanharam o que foi feito”, disse Tarcísio. “Ela desapareceu. Não foi milagre, espalhamento. Foi técnica.”
O consórcio MEZ-RZK Novo Centro, composto por cinco empresas, venceu o leilão oferecendo um desconto de 9,62% sobre a contraprestação máxima de R$ 76,58 milhões. O consórcio reúne a Zetta infraestrutura, como líder, e a M4 Investimentos, junto de Engemat, RKZ Empreendimentos e Iron Property.
Também compareceram ao evento o vice-governador Felício Ramuth (PSD); o presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Alesp), André do Prado (PL); o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB); e os secretários estaduais de Governo e Relações Institucionais, Gilberto Kassab; de Parcerias em Investimentos, Rafael Benini, e de Projetos Estratégicos, Guilherme Afif Domingos.
O novo Centro Administrativo é tratado como projeto símbolo da gestão e possível marca do mandato de Tarcísio de Freitas (Republicanos). No entorno do governador, a concentração das secretarias no centro da capital é tratada como peça-chave de uma estratégia mais ampla: consolidar a ideia de revitalização da região, associada ao discurso do “fim da Cracolândia” e à atração de investimentos.
Embora reconheça que a dependência química continue sendo um desafio, o governador sustenta que a dinâmica de ocupação e comércio a céu aberto foi desarticulada e que o foco agora é assistência e descentralização do atendimento.
A gestão estadual vem lançando um conjunto de intervenções no centro da capital por meio de Parcerias Público-Privadas (PPP), que inclui o novo Centro Administrativo Campos Elíseos, estimado em R$ 6 bilhões, e a PPP de desenvolvimento urbano no Centro Histórico, de R$ 2,5 bilhões. Também integra essa agenda a proposta de transformar a área da Favela do Moinho, atualmente em processo de desapropriação, em parque e estação de trem – iniciativa que provocou embate com o governo federal e o presidente Lula.
Tarcísio também afirmou que o leilão da nova sede administrativa do Estado permitirá ao governo “fazer dinheiro com imóveis espalhados pela cidade de São Paulo”, ao concentrar 40 estruturas hoje dispersas. Ele também disse que o futuro Centro Administrativo deveria receber o nome de Silvia Maria Dellivenneri Domingos, ex-esposa do secretário que faleceu em 2024. Segundo o governador, a iniciativa representa um “projeto de construção de legado” para a capital paulista.
Nunes aproveitou o momento para criticar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Não se vive só de discurso, de promessa de picanha, de promessas vãs ou fazendo má gestão. O governo federal, por exemplo, chega agora com R$ 1 trilhão só de pagamento de juros”, disparou o prefeito.
Contato: geovani.bucci@estadao.com; circe.bonatelli@estadao.com
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