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Stone: Vendas no varejo fecham 2025 com retração de 0,5% ante 2024

14 de janeiro de 2026

Por Júlia Pestana

São Paulo, 14/01/2026 – As vendas do comércio brasileiro encerraram 2025 com queda acumulada de 0,5% em relação ao ano passado, segundo o Índice do Varejo Stone (IVS). A retração foi puxada pela queda de 0,9% nas vendas em dezembro ante novembro e pelo enfraquecimento do consumo no final do ano.

Na comparação anual, o volume de vendas caiu 1,5% em dezembro. Com isso, o quarto trimestre de 2025 registrou retração de 1,7% em relação ao mesmo período de 2024 e recuo de 0,9% frente ao terceiro trimestre do ano.

Para o economista e pesquisador da Stone, Guilherme Freitas, os números refletem uma desaceleração progressiva do varejo ao longo de 2025, com perda de fôlego mais acentuada no fim do ano. Embora o mercado de trabalho tenha permanecido robusto e ajudado a sustentar o consumo em diferentes momentos, ele avalia que esse impulso encontrou limites em um ambiente financeiro mais restritivo.

“Juros elevados, crédito mais caro e um nível ainda alto de endividamento das famílias reduziram o espaço para novas decisões de compra, especialmente de bens de maior valor”, afirmou.

Segmentos

Apenas três dos oito segmentos analisados apresentaram crescimento em dezembro ante novembro. O destaque foi Material de Construção, com alta de 1,7%, seguido por Artigos Farmacêuticos (0,6%) e Combustíveis e Lubrificantes (0,3%).

Por outro lado, registraram queda Livros, Jornais, Revistas e Papelaria (5,5%), Tecidos, Vestuário e Calçados (3,4%), Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo (3,2%), além de Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico (0,5%) e Móveis e Eletrodomésticos (0,1%).

Já na comparação anual, quatro segmentos apresentaram crescimento em 2025. Móveis e Eletrodomésticos lideraram os avanços, com alta de 2,4%, seguidos por Artigos Farmacêuticos (1,5%), Material de Construção (0,9%) e Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico (0,3%).

Entre os setores em retração, destacam-se Combustíveis e Lubrificantes, com queda de 5,7%, Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo (4,6%), além de Livros, Jornais, Revistas e Papelaria (4,3%) e Tecidos, Vestuário e Calçados (0,4%).

Desempenho regional

No recorte regional, apenas três estados apresentaram crescimento das vendas na comparação anual. O maior avanço foi registrado no Piauí, com alta de 2,3%, seguido por Alagoas (1,2%) e Rondônia (1,1%). Entre os piores desempenhos estão Mato Grosso do Sul, com retração de 5,9%, Amazonas (5%) e Ceará (4,4%). São Paulo registrou queda de 1,8% no período.

Segundo Freitas, os poucos avanços registrados no período se concentraram no Nordeste. “Em alguns estados, o consumo essencial mostrou maior resiliência, com menor dependência de crédito e mais apoio em fontes recorrentes de renda, mas esse movimento não se espalha pela região como um todo”, afirmou.

Ele acrescentou que a maior parte dos estados do país registrou retração nas vendas, com quedas mais intensas no Centro-Oeste e resultados negativos no Sudeste e no Sul, em um ambiente de condições financeiras mais restritivas para as famílias.

Contato: julia.pestana@estadao.com

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