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SPX Capital/Xavier: se Brasil não resolver segurança pública, afastará investimento estrangeiro

8 de novembro de 2025

Por Aline Bronzati, enviada especial*

Boston, 08/11/2025 – O sócio-fundador da SPX Capital, Rogério Xavier, vê riscos de o Brasil afastar capital estrangeiro por conta da situação da segurança pública no País na esteira da megaoperação policial no Rio de Janeiro, no mês passado. Na sua visão, esse será o tema decisivo da eleição presidencial de 2026, como as pesquisas de opinião já têm apontado.

“Se não resolver, é claro que afasta. Afasta, inclusive, as pessoas. Os próprios locais”, disse Xavier, a jornalistas, após participar em painel na conferência MBA Brasil 2025, em Boston, nos Estados Unidos.

Na sua opinião, o brasileiro perdeu a liberdade individual, o direito de ir e vir. “As pessoas não estão se dando conta, mas elas estão ficando trancadas nos seus ambientes ou em casa”, alertou ele, que mora em Londres.

“O assunto da segurança pública não só vai ser importante (na eleição), como ele é necessário”, reforçou. Mas, sugeriu, o tema tem de ser tratado sem politização, o que considera “impossível”. Além disso, vê a segurança pública como um tema mais difícil para o PT, para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do que para a direita.

O gestor disse ainda que o estrangeiro não entende porque o investidor doméstico é tão preocupado com Lula e com o PT. “Basicamente, o que a gente explica é que o orçamento brasileiro está cada vez mais comprimido pelas despesas obrigatórias”, ponderou, alertando para o gasto elevado com pessoal no Brasil.

Xavier afirmou que não tem o pé atrás com Lula, que gosta do petista, mas que não concorda com suas políticas. “Eu gosto do Lula também. Pode parecer que o pessoal da Faria Lima tem um pé atrás com o Lula, eu não tenho nenhum pé atrás do Lula, eu particularmente tenho admiração pela carreira dele, de ter chegado a presidente”, afirmou. “Eu só não gosto das ideias, são ultrapassadas”.

Ele também disse que vê vontade no ministro da Fazenda, Fernando Haddad, mas que ele não consegue emplacar uma agenda fiscal mais dura por conta da visão do presidente Lula. “O ministro é uma pessoa séria e comprometida em entregar o superávit primário, é que ele não consegue. A demanda do resto do governo é tão grande que o cara fica lá equilibrando um monte de prato”, disse o gestor.

O gestor não vê Haddad seguindo à frente da pauta econômica caso Lula seja reeleito em 2026. “Ele está cansado. Ele quer outra coisa, coitado”, acrescentou.

Contato: aline.bronzati@estadao.com

*A repórter viajou a convite da MBA Brasil

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