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S&P Global: gravidade da situação passou de alta para severa no Oriente Médio

2 de março de 2026

Por Patricia Lara

São Paulo, 02/03/2026 – A intensidade e o escopo das ações militares no Oriente Médio representam uma escalada significativa nas hostilidades, disse a S&P Global Ratings.

“A gravidade da situação passou de alta para severa em nossos cenários pré-definidos e, consequentemente, o potencial para eventos enfraquecerem a qualidade de crédito em diversos setores aumentou”, disse a S&P Global em comunicado.

A S&P Global continua avaliando que o cenário base continua sendo de que o confronto militar será relativamente curto. “No entanto, as declarações públicas sobre operações militares dos EUA durando até um mês e a natureza dos objetivos militares dos EUA e de Israel – incluindo mudança de regime – são muito mais amplas do que as relacionadas à guerra de 12 dias em junho de 2025”, pontuam analistas em relatório divulgado nesta segunda-feira.

Para o regime do Irã, o conflito é quase existencial, o que significa que provavelmente continuará a retaliar quando e onde achar adequado, observa a S&P Global.

A interrupção do transporte marítimo pode causar tensão multissetorial, segundo a S&P. Empresas de navegação começaram a cancelar viagens em meio a ameaças das forças navais iranianas e aumentos acentuados nos custos de seguro.

Em relação aos riscos soberanos, diferenças geográficas significativas entre os países da região influenciarão sua vulnerabilidade a disrupções na cadeia de suprimentos e ao conflito em geral. Preços mais altos do petróleo geralmente beneficiariam os produtores de hidrocarbonetos, embora isso dependa de quanto tempo o Estreito de Ormuz será obstruído. “Consideramos improvável um bloqueio prolongado do estreito, dada a substancial presença militar dos EUA na região”, afirma a S&P Global.

No entanto, a exposição a um fechamento é maior para o Iraque, Bahrein, Catar e Kuwait, refletindo sua dependência dessa rota”, pontuam analistas.

Preços mais altos do petróleo trarão algum alívio à perspectiva fiscal dos soberanos do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG).

Para o sistema financeiro, a S&P Global cita que o risco de saídas de recursos aumentou para as instituições do Oriente Médio. E a agência lista que Bahrein e Catar têm maior exposição líquida à dívida do CCG.

Contato: patricia.andrioli@estadao.com

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