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26 de março de 2026
Por Gabriel Azevedo
São Paulo, 26/03/2026 – Os especuladores seguem comprados em soja apesar da perspectiva de expansão da área nos Estados Unidos na safra 2026/27, sustentados pela expectativa de uma decisão iminente da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) sobre biocombustíveis e pela possibilidade de retomada das compras chinesas. A avaliação é do vice-presidente da StoneX, Bertrand Oesterle, em transmissão nesta quinta-feira.
Os fundos carregam posição líquida comprada próxima de 119 mil contratos. O mercado projeta que a área de soja nos Estados Unidos avance para entre 85 milhões e 86,1 milhões de acres (34,40 milhões a 34,84 milhões de hectares), ante 81,2 milhões de acres (32,87 milhões de hectares) no ciclo anterior. “Se há mais área, por que os fundos continuam tão comprados? A EPA e a China”, afirmou.
No curto prazo, o foco está na decisão da EPA sobre o programa de créditos fiscais para biocombustíveis, o 45Z, esperada até o fim do mês. Segundo o executivo, o calendário político favorece o anúncio antes ou durante o evento de celebração do agro na Casa Branca, previsto para amanhã. A expectativa é de redistribuição das isenções de mistura, com transferência de parte dos benefícios das refinarias menores para as maiores, ampliando a demanda por biodiesel à base de óleo de soja. “Se isso acontecer, justifica a área maior e dá suporte às cotações”, disse.
A agência já anunciou uma licença que permite o uso das misturas E10 e E15 de etanol durante o verão americano, normalmente restritas por questões ambientais. Os estoques de etanol nos Estados Unidos atingiram 27,2 milhões de barris, o maior nível já observado pelo analista, acima dos 26,4 milhões da semana anterior, indicando expectativa de maior consumo. No milho, os fundos também mantêm posição comprada, próxima de 104 mil contratos, diante da expectativa de redução da área plantada nos Estados Unidos para um intervalo entre 93,7 milhões e 95,2 milhões de acres, ante 98,8 milhões no ciclo passado.
No front comercial, a China volta a priorizar a origem brasileira. Segundo Oesterle, os compradores intensificaram a busca por soja do País após a normalização de entraves fitossanitários e operacionais que haviam limitado os embarques. Com ampla oferta, o Brasil deve exportar entre 15,7 milhões e 16,3 milhões de toneladas em março. Ao mesmo tempo, as vendas externas dos Estados Unidos seguem cerca de 5% abaixo do ritmo necessário para cumprir a meta anual do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
A viagem do presidente Donald Trump à China, inicialmente prevista para o fim de março, foi adiada para 14 e 15 de maio em meio às tensões com o Irã, reduzindo a janela para avanço comercial. “A China está olhando de novo para o Brasil. Os americanos precisam entrar em campo e fechar negócios”, afirmou.
O relatório de intenção de plantio do USDA, previsto para 31 de março, deve confirmar a migração de área do milho para a soja e tende a orientar o mercado no curto prazo. Caso os números venham em linha com o esperado, a atenção deve se voltar aos estoques trimestrais, divulgados no mesmo dia, que podem definir a direção das cotações.
Além dos fatores imediatos, Oosterle destacou riscos estruturais para a próxima safra. A Rússia anunciou a suspensão por um mês das exportações de nitrato de amônio, enquanto a China indicou que deve restringir os embarques de fertilizantes pelo menos até agosto, priorizando o abastecimento interno. Brasil e Argentina, altamente dependentes de importações, podem enfrentar limitações na oferta de insumos. O cenário ganha relevância diante dos primeiros sinais de formação de El Niño, ainda com incertezas sobre timing e intensidade. “É o risco de ter problemas com fertilizantes ao mesmo tempo em que o El Niño pode estar em jogo. Se isso virar realidade, o que acontece com as próximas safras?”, questionou.
No trigo, as condições das lavouras de inverno nos Estados Unidos seguem pressionadas pela seca, com apenas 46% das áreas no Kansas classificadas entre boas e excelentes, queda de seis pontos porcentuais na semana. A seca severa atinge cerca de 45% da área em Oklahoma e 50% no Texas. Por outro lado, pesam no sentido contrário a perspectiva de maior produção no norte da África, boas condições na França e estimativas de safra mais elevada na Rússia, com exportações em aceleração.
Contato: gabriel.azevedo@estadao.com
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