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4 de março de 2026
Por Gabriel Azevedo
São Paulo, 04/03/2026 – A ascensão do Brasil como principal potência global da soja está ligada a décadas de investimento público em pesquisa agrícola, enquanto os Estados Unidos reduziram o esforço nessa área e perderam competitividade no comércio internacional de alimentos. A avaliação é do professor de economia aplicada da Universidade Cornell Chris Barrett, em artigo publicado no início da semana com base em dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Segundo Barrett, a diferença de estratégia ficou evidente a partir dos anos 1970. “Os produtores brasileiros de soja aumentaram a produção cerca de 30 vezes nos últimos 50 anos. Nos Estados Unidos, a produção cresceu apenas 2,7 vezes no mesmo período”, escreveu o economista.
O resultado aparece no comércio internacional da commodity. Os Estados Unidos chegaram a responder por cerca de 80% das exportações mundiais de soja, mas perderam espaço nas últimas décadas. Hoje, o Brasil responde por aproximadamente 60% das vendas internacionais do grão, segundo os dados citados no artigo.
“A dominância brasileira na soja, que é o principal componente da ração animal no mundo, também ajudou o País a ultrapassar os Estados Unidos como maior produtor global de carne bovina”, afirmou Barrett.
Para o professor, o principal fator por trás dessa mudança estrutural não são as disputas comerciais ou as tarifas que frequentemente dominam o debate político. “O verdadeiro problema é o desinvestimento do governo americano em pesquisa e desenvolvimento no setor agroalimentar”, escreveu.
De acordo com o economista, os gastos federais dos Estados Unidos com pesquisa agrícola estão hoje em cerca de US$ 5 bilhões por ano em valores corrigidos pela inflação, praticamente o mesmo nível observado há cinco décadas. “No início dos anos 2000, o investimento público representava mais de 5% do valor da produção agrícola americana. Hoje caiu para cerca de 2,6%”, disse.
Barrett destaca que o retorno econômico desse tipo de investimento costuma ser elevado. “Cada dólar aplicado em pesquisa agrícola gera aproximadamente US$ 20 adicionais de renda para a economia americana”, afirmou. O impacto também aparece no mercado de trabalho: “cada US$ 1 bilhão em exportações agrícolas sustenta cerca de 6 mil empregos, a maior parte fora das fazendas”.
O cenário global também reforça a pressão competitiva sobre os Estados Unidos. Segundo o professor, a China ultrapassou os americanos em investimento público em pesquisa agrícola em 2013 e a Índia se aproxima rapidamente do mesmo patamar.
“Os cortes recentes em equipes e programas de pesquisa do USDA apenas aceleram o declínio da liderança americana no sistema agroalimentar global”, escreveu Barrett. Os Estados Unidos registraram em 2019 o primeiro déficit comercial agrícola desde 1959, e o desequilíbrio voltou a atingir níveis recordes em 2023.
Para o economista, a saída passa por ampliar os recursos destinados à pesquisa agrícola no próximo Farm Bill, o pacote de políticas para o setor que está em discussão no Congresso americano. “Os agricultores não precisam de resgates financeiros. Eles precisam de acesso a mercados e crescimento de produtividade”, afirmou.
Contato: gabriel.azevedo@estadao.com
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