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Soja: China compra até 3,8 milhões de t dos EUA; meta de 12 milhões de t fica distante

4 de dezembro de 2025

Por Gabriel Azevedo

São Paulo, 04/12/2025 – A China comprou entre 3,2 milhões e 3,8 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos nas últimas semanas, mas não deve cumprir o compromisso original de adquirir 12 milhões de toneladas até dezembro, afirmou o vice-presidente da StoneX, Bertrand Oosterle, em análise transmitida pela internet. Segundo ele, o presidente dos EUA, Donald Trump, estendeu informalmente o prazo para a primavera americana, na tentativa de manter o acordo ativo. “Os chineses disseram que não havia compromisso firme, e Trump veio dizendo que, em vez de dezembro, pode ser até a primavera”, afirmou Oosterle. “O que vimos foram compras regulares. Pode haver mais pedidos a caminho.”

O cenário ocorre enquanto a demanda doméstica dos Estados Unidos permanece forte. O processamento de soja em outubro somou 6,2 milhões de toneladas, o maior volume já registrado para um único mês, segundo a associação das esmagadoras, a Nopa. “Foi um número enorme”, disse o executivo.

A situação ganhou mais complexidade após a China rejeitar um carregamento brasileiro de 69 mil toneladas, alegando contaminação por pesticidas. “O mercado ficou muito desconfiado. Ninguém sabe se foi problema real de qualidade ou apenas um sinal de que precisam comprar soja dos EUA”, afirmou.

Mesmo com esse episódio, a estratégia chinesa continua favorecendo o Brasil. A safra 2025/26 segue estimada entre 177 milhões e 179 milhões de toneladas, com exportações previstas de 111 milhões a 112 milhões de toneladas. Na Argentina, o plantio avança lentamente, entre 25% e 30% da área.

No milho, o mercado recebe suporte das tensões no Mar Negro. “Os ucranianos relataram danos adicionais a rotas ferroviárias”, disse Oosterle. A combinação de problemas logísticos e riscos na navegação cria dificuldade para o escoamento do cereal. Ainda assim, a demanda internacional ficou firme nas últimas semanas: a Coreia do Sul comprou mais de 1 milhão de toneladas, o México cerca de 350 mil, e o Irã aproximadamente 180 mil toneladas. Nos EUA, a colheita terminou, mas produtores alternam entre vendas para liberar armazéns e retenção à espera de preços melhores.

No Brasil, a primeira safra está totalmente plantada. Na Argentina, cerca de 50% da área está semeada, com projeções variando de 54 milhões a 61 milhões de toneladas por causa de divergências sobre impactos climáticos.

No trigo, o foco segue voltado ao Mar Negro. A Rússia voltou a ameaçar bloquear o acesso da Ucrânia ao mar após ataques a navios russos. “Estamos novamente diante do risco de interrupção da rota marítima”, disse Oosterle. O mercado monitora possíveis ações em Odessa e Novorossiysk. Mesmo com as tensões, a oferta global continua ampla. A Argentina está na metade da colheita, com projeções entre 24 milhões e 27 milhões de toneladas, acima do recorde anterior, de 22,4 milhões. A Austrália estima 35,6 milhões de toneladas, aumento anual de 4%, e o Canadá deve ficar entre 36,6 milhões e 38,8 milhões de toneladas.

Contato: gabriel.azevedo@estadao.com

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