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26 de fevereiro de 2026
Por Luciana Collet
São Paulo, 26/02/2026 – Diante de um cenário de maior cautela com o ambiente político e macroeconômico, líderes de empresas de energia e saneamento do País estão menos otimistas quanto ao crescimento econômico global e brasileiro, bem como menos confiantes com relação a seus próprios negócios. Com isso, eles têm centrado grande parte de seu tempo em questões de curto prazo, enquanto temas de médio e longo prazos ocupam uma parcela menor em suas agendas do que nas de seus pares em outros países ou em outros setores. O reflexo disso é uma menor abertura das empresas brasileiras do setor à inovação, na comparação com companhias de energia estrangeiras ou de outras áreas de atuação, e portanto uma menor preparação para a revolução tecnológica.
Esses são alguns dos resultados da 29ª Global CEO Survey, lançada pela PwC, que ouviu 4.400 executivos em 95 países, incluindo o Brasil. O estudo apontou que caiu de 83% para 57% o porcentual de CEOs do setor de energia e serviços de utilidade pública no Brasil que projetam aceleração do crescimento econômico mundial. Entre os pares globais, a previsão de aceleração é feita por 64%. No plano doméstico, recuou de 77% para 57% o número de CEOs que esperam maior ritmo de crescimento da economia, enquanto 23% esperam desaceleração. Na média nacional, considerando CEOs de diferentes setores, 60% esperam aceleração e 20% desaceleração.
A confiança quanto ao crescimento da receita também arrefeceu em 2026, após o pico observado em 2024. A parcela de executivos que se declaram “muito” ou “extremamente” confiantes nos próximos 12 meses baixou de 45% em 2024 para 31% em 2025, oscilando a 33% em 2026. No cenário para os próximos três anos, o porcentual se manteve nos 40%, ante os 61% anotados em 2024.
Para a PwC, os dados indicam que o setor atravessa uma fase de recalibração das expectativas, com os executivos ajustando as projeções a um cenário de maior incerteza, mantendo uma visão ainda positiva, porém, mais contida e seletiva, tanto no curto quanto no médio prazo.
A pesquisa indicou também que as preocupações dos executivos brasileiros de empresas de energia e saneamento estão concentradas na instabilidade macroeconômica, citada por 33% dos entrevistados, seguida por disrupção tecnológica e fatores operacionais críticos (27%).
A conjuntura mais desafiadora também faz os CEOs concentrarem mais de 56% de seu tempo em temas de curto prazo, enquanto questões de médio prazo (de um a cinco anos) respondem por 33% da agenda e aquelas de prazo mais longo (superior a cinco anos) ocupam apenas 11% do tempo, abaixo dos pares globais, que dedicam de 50% da agenda para questões com prazos superiores a 12 meses.
Ambiente
Segundo o sócio e líder da indústria de Energia e Serviços de Utilidade Pública da PwC, Daniel Martins, o retrato reflete as especificidades do ambiente macroeconômico local, de altos juros e consequente elevado custo de capital. Ele cita também o atual momento político pré-eleitoral e de intensa polarização, que traz incerteza quanto ao futuro, além da turbulência que o setor energético tem vivido nos últimos anos.
No entanto, ele alerta para a possibilidade de paralisia, em especial frente às inovações tecnológicas. A pesquisa mostrou que 47% dos CEOs de empresas brasileiras de energia e saneamento consideram inovação como “componente crítico” para a estratégia de negócios. No entanto, na prática, a abordagem desse tema é limitada: a colaboração com parceiros externos alcança apenas 23% das empresas, abaixo dos 35% observados no setor globalmente (35%), enquanto apenas 3% testam novas ideias rapidamente com clientes ou usuários finais, em contraste com 29% no setor globalmente.
“O setor de energia é um setor tradicional, por ser um setor de investimento de longo prazo, e demora mais para se mexer do que outros, mas acho que estamos muito atrasados em relação a inovação, tecnologias, tem muita coisa para fazer”, diz Martins.
Ele cita como exemplo a lentidão em adotar novas tecnologias que permitam administrar as redes elétricas com mais eficiência, para lidar com o aumento da complexidade trazida pelas mudanças climáticas e pela transição energética. “Podemos estar perdendo uma oportunidade. Estamos hoje num panorama de tecnologia que justifica repensar por completo como devemos fazer as coisas. Há espaço para a gente reinventar os processos, as operações, os negócios”, afirma.
Contato: luciana.collet@estadao.com
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