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22 de abril de 2026
Por Bruna Camargo
São Paulo, 22/04/2026 – Os fundos que investem em cotas de fundos de investimento em direitos creditórios, chamados de FIC FIDC, apresentam um retorno médio superior ao de fundos de crédito privado, tanto no curto quanto no longo prazo. O dado consta em pesquisa elaborada pela XP, que avalia que a abertura dos spreads (prêmios) impacta diretamente as classes mais líquidas de crédito, que sofrem reprecificação no curto prazo, enquanto os FIC FIDC, com marcação na curva e retorno baseado no carrego dos ativos, conseguem preservar a performance no curto prazo e manter consistência no longo prazo.
“A combinação de tensões geopolíticas, inflação mais persistente e juros elevados por mais tempo tem impactado diretamente no mercado de crédito. Quando se tem choques de oferta, pressão em cadeias produtivas e custos mais altos de energia e financiamento, o impacto aparece rapidamente no balanço das empresas. O resultado é um ambiente em que o risco de crédito volta a ganhar relevância, gerando maior sensibilidade macro nos principais índices de crédito”, afirmam os analistas Clara Sodré e José Pini, em relatório da XP.
Em março, a XP descreve uma abertura nos spreads de crédito, com os prêmios do IDEX-DI (índice que acompanha debêntures indexadas ao CDI) saindo de cerca de CDI+1,5% para algo entre CDI+2,1% e CDI+2,3%. O movimento também foi observado no IDEX-Infra (índice que acompanha debêntures incentivadas), que saltaram para 12,27 pontos-base da NTN-Bs após um período com prêmio negativo.
Segundo Sodré e Pini, a abertura nos spreads reflete o cenário de maior volatilidade para as perspectivas de juros, mas também está relacionado a um período de correção de preços, já que o forte fluxo observado nos últimos anos levou os spreads a níveis muito baixos – e até mesmo negativos, no caso dos títulos incentivados. “Nesse momento, com a maior sensibilidade ao risco, o mercado começa a exigir mais prêmio”, afirmam os analistas da XP.
E como isso se reflete nos fundos de crédito privado? O relatório da XP mostra que os fundos de crédito high grade entregaram cerca de 85% do CDI em março, enquanto os fundos de crédito high yield ficaram próximos de 89% do CDI, ou seja, ambos abaixo do CDI e pressionados pela reprecificação dos spreads. O crédito liquidez aparece em torno de 92%.
Por outro lado, os FIC FIDC mantiveram performance na casa de 113% do CDI no mês passado. A diferença em relação aos fundos de crédito privado se intensifica nas janelas mais longas: em 24 meses, os FIC FIDC chegam a 118% do CDI, enquanto o crédito liquidez entrega 101%, o high grade, 104%, e o high yield, 112%.
“Os FIDC por natureza incorporam uma camada adicional de sofisticação que impacta diretamente na dinâmica de performance. A presença de subordinação de cotas, sofisticação nas garantias e mecanismos de proteção ao longo da operação, pode criar um colchão que absorve perdas antes de atingir o investidor das cotas seniores. Além disso, a estrutura FIC FIDC conta com um componente importante: diversificação de carteira e seletividade”, afirmam Sodré e Pini.
Os analistas observam que enquanto outras classes apresentam maior variabilidade ao longo do tempo, os FIDC mantêm “uma trajetória mais estável e consistente”. No entanto, eles reforçam que o fato de algumas estruturas apresentarem menor volatilidade ou não sofrerem marcação a mercado não elimina o risco de crédito, apenas altera a forma como ele aparece. “Esse é um ponto de atenção para o investidor”, destaca a XP.
Contato: bruna.camargo@estadao.com
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