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Relator pede prisão de Lulinha; medida depende de aprovação na CPI do INSS e aval de Mendonça

27 de março de 2026

Por Gustavo Côrtes e Vinícius Valfré, do Estadão

Brasília, 27/03/2026 – Relator da CPI do INSS, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), pediu a prisão preventiva do empresário Fabio Luis da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luis Inácio Lula da Silva. Em seu parecer, que ainda depende de aprovação dos membros da comissão, o parlamentar alega risco de fuga devido às viagens dele para o exterior.

Atualmente, Lulinha vive na Espanha. A defesa de Lulinha ainda não se manifestou.

O pedido de prisão ainda depende de aprovação do relatório da CPI. Se aceita pelos demais membros do colegiado, a medida precisa ser requerida à Advocacia do Senado e aprovada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator da operação Sem Desconto.

“Os elementos reunidos no curso desta investigação indicam que, concomitantemente à deflagração da Operação Sem Desconto pela Polícia Federal em 23 de abril de 2025, o indiciado deixou o território nacional com destino à Espanha, fato que compromete a incidência da lei penal e frustra a aplicação do ordenamento jurídico”, diz o relatório.

A Polícia Federal reuniu suspeitas de que o lobista Antônio Carlos Camilo, o “Careca do INSS” efetuava pagamentos como uma espécie de mesada cujo beneficiário final era o filho do presidente. Ele fazia repasses de R$ 300 mil à RL Consultoria e Intermediações Ltda, de Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha.

Investigadores apuram se ele era o beneficiário final desses valores. No parecer, Gaspar propôs indiciamento de Lulinha pelos crimes de tráfico de influência, lavagem de dinheiro, organização criminosa e corrupção passiva.

Lulinha é uma das 216 pessoas na lista de pedidos de indiciamento do documento apresentado pelo relator da CPI.

Os principais apontamentos sobre Lulinha no relatório estão lastreados em investigações da Polícia Federal e a comissão parlamentar não conseguiu reunir novos elementos sobre envolvimento de Lulinha no esquema de fraudes no INSS.

As referências ao filho do presidente são escritas no condicional no texto de Alfredo Gaspar. O relatório aponta, por exemplo, que Lulinha Lula “teria atuado” como facilitador de acesso da dupla e, ainda, como “possível sócio oculto” do lobista em negócios que dependiam de decisões administrativas no Ministério da Saúde e na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Ao justificar o pedido de indiciamento de Lulinha, o relatório da CPI também usa a investigação da PF ao reproduzir mensagem de Roberta a Antônio, enviada logo após a primeira fase da Operação Sem Desconto: “E só para vc saber, acharam um envelope com nome do nosso amigo no dia da busca e apreensão”. Essa também seria uma referência a Lulinha.

O relatório também afirma que a CPI e PF identificaram um “padrão consistente de viagens coordenadas” entre Lulinha, Careca e Roberta. Além de passagens emitidas de forma conjunta, a Polícia Federal identificou que uma agência de viagens recebeu mais de R$ 640 mil de uma empresa de Roberta Luchsinger. E dados cadastrais de Lulinha aparecem vinculados a essa empresa em algumas viagens internacionais.

“Fábio Luís não figurou como mero espectador das atividades de Antônio Carlos Camilo Antunes: ao contrário, há elementos robustos que apontam para uma atuação consciente e interessada, em que o capital político representado pelo sobrenome presidencial era monetizado por meio de uma engenharia de interposição de pessoas e empresas, cujo elo era a empresária Roberta Luchsinger”, diz o relatório.

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