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Rally da safra: safra de soja 2025/26 sobe 0,9% ante previsão anterior, a 184,7 Mi/t

26 de março de 2026

Por Julia Maciel

São Paulo, 26/03/2026 – A Agroconsult elevou a estimativa da safra brasileira de soja para 184,7 milhões de toneladas, um crescimento de 6,7% em relação ao ciclo anterior e de 0,9% sobre a revisão anterior, de 3 de março, após consolidar os dados finais da etapa soja do Rally da Safra. O novo número reflete ajustes na produtividade e na área plantada, reforçando o cenário de mais uma grande safra no País, informou a consultoria.

A leitura da Agroconsult indica 49,1 milhões de hectares plantados com soja em 2025/26, um acréscimo de quase 300 mil hectares em relação à projeção inicial do Rally da Safra. Com isso, o ajuste total da safra 2025/26 em relação à estimativa anterior alcança 1,6 milhão de toneladas e, comparando com a temporada anterior, ultrapassa 11,5 milhões de toneladas: 30% desse crescimento ocorre em virtude do aumento de área e 70% por ganhos de produtividade.

“Chegamos a um momento decisivo para a definição da safra de soja. É quando consolidamos os dados de campo coletados em todas as regiões do país, respeitando o calendário de colheita de cada área, e os integramos às informações de área plantada”, disse André Debastiani, coordenador geral do Rally da Safra, em comunicado. “Esse cruzamento de informações amplia de forma significativa a precisão das estimativas e reforça a confiabilidade dos números da produção nacional.”

A Agroconsult mostra que, entre os destaques positivos da safra, estão Mato Grosso e Bahia. Com a colheita finalizada, Mato Grosso deve produzir 51,3 milhões de toneladas, mantendo a produtividade em 66 sacas por hectare – estável em relação ao relatório anterior e pouco acima da estimativa inicial do Rally, de 65 sacas. “No início do Rally, as lavouras precoces do Mato Grosso já indicavam alto potencial produtivo. Em fevereiro, o excesso de chuvas trouxe preocupação com a qualidade e o peso dos grãos. Ainda assim, os dados finais mostram que o estado sustentou uma produtividade elevada, apoiada pelo maior número de grãos por hectare e bom peso dos grãos”, explica Debastiani na nota.

Na Bahia, com 61% da safra colhida, os dados de campo confirmam uma das maiores revisões positivas da temporada. A produtividade estimada, que era de 66 sacas por hectare em janeiro, subiu para 68 em fevereiro e agora é estimada em 70,3 sacas por hectare – a maior do País. A produção estadual deve alcançar 9,7 milhões de toneladas.

Já no Rio Grande do Sul, a situação é contrária. Com apenas 11% da área colhida – ritmo inferior à média das últimas cinco safras -, o Estado enfrentou a estiagem ao longo do ciclo. A estimativa de produtividade em janeiro, que era de 52 sacas por hectare, caiu para 47 sacas em fevereiro e foi ajustada para 48,3 sacas na rodada final. “Apesar da melhora da percepção de potencial do Estado, após rodarmos o estado no final de março, a produção ainda deve ficar ligeiramente abaixo das 20 milhões de toneladas”, informa Debastiani.

Entre os demais Estados, a Agroconsult afirmou que houve algumas reduções de estimativas no terço final da colheita, em virtude de desafios climáticos pontuais. “Em Mato Grosso do Sul, o início da safra registrou implantação satisfatória, mas a irregularidade climática foi constante ao longo do desenvolvimento”, afirmou, em comunicado. “A redução das chuvas e as altas temperaturas aceleraram a colheita, em meio à preocupação com a janela da segunda safra, e a produtividade foi revisada de 62,5 para 60 sacas por hectare.”

Em Goiás, a consultoria indica que a safra se desenvolveu de forma satisfatória, mas a colheita trouxe peso de grãos e qualidade abaixo das expectativas. A produtividade foi reduzida de 67 para 66,2 sacas por hectares no Estado. No Paraná, a irregularidade das chuvas e as altas temperaturas afetaram principalmente as últimas áreas semeadas, em fevereiro e março, reduzindo o peso de grãos. A estimativa saiu de 67 para 66,1 sacas por hectare.

Já outros Estados apresentaram revisões positivas. Em Minas Gerais, a combinação de fatores como a semeadura que, apesar dos atrasos, ocorreu de forma segura, sem necessidade de replantios, aliada ao bom nível de investimento nas lavouras e aos volumes adequados de chuva ao longo do desenvolvimento da cultura, resultou em uma produtividade recorde no estado de 68 sacas por hectare.

No Mapito-PA (Maranhão, Piauí, Tocantins – Pará), que abrange regiões do Maranhão, Piauí, Tocantins e Pará, a Agroconsult disse que Maranhão e Piauí apresentaram bom peso de grãos em praticamente todas as regiões, o que elevou a produtividade no Maranhão para 64,2 sacas, e no Piauí, agora com 65 sacas por hectare. Já no Tocantins e Pará, as médias devem se manter próximas a 60 sacas por hectare.

Contato: julia.maciel@Estadão.com

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