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Privatização da Copasa entra na reta final com início de cadastros de investidor estratégico

24 de abril de 2026

Por Altamiro Silva Junior e Elisa Calmon

São Paulo, 24/04/2026 – A privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), que pode movimentar perto de R$ 10 bilhões, entra finalmente na reta final nesta sexta-feira, 24, dia em que os interessados em ser investidor estratégico da companhia podem começar a fazer a inscrição na B3. O prazo vai até 8 de maio e logo depois será a vez de uma oferta de ações para o mercado em geral, prevista para ocorrer, de acordo com fontes, ainda no mês que vem ou até meados de junho.

O investidor estratégico pode comprar 30% da empresa mineira, algo perto de R$ 7 bilhões pelo valor de mercado de hoje, de cerca de R$ 22 bilhões. Para isso, precisa apresentar na B3 uma carta finança desse valor. Entre as empresas que já declararam interesse em ser esse investidor estão a Sabesp, em parceria com a Equatorial, e a Aegea. Outros nomes citados pelo mercado incluem a Acciona, a Águas do Brasil e o fundo Perfin, que já é sócio da Copasa.

O governo mineiro vai ficar com apenas 5% da Copasa, o que atualmente vale R$ 1,1 bilhão, mas terá alguns poderes na companhia, incluindo uma ação especial (golden share), com prerrogativas específicas na governança. Também terá direito de indicar membros para o conselho de administração e para o conselho fiscal, além de influência sobre decisões estratégicas.

“A publicação desses documentos marca um ponto crucial no processo de privatização da empresa, pois estabelece todas as obrigações, direitos e deveres aos quais um investidor estratégico estará sujeito”, disse o analista do Itaú BBA, Fillipe Andrade, em relatório.

Cidades mineiras

A Copasa precisa ainda avançar na renegociação de contratos com municípios mineiros. O mais importante, Belo Horizonte, já foi, mas a empresa atende 636 cidades – 309 de água e esgoto, e 327 apenas de água. Até 17 de abril, pelo menos 265 municípios já haviam iniciado tratativas e recebido a minuta do contrato padrão, segundo a Associação Mineira dos Municípios (AMM). Ou seja, ainda falta mais da metade.

Para estimular mais adesões, a companhia comunicou ontem que vai antecipar até 4% das receitas que já depositaria mensalmente em fundos municipais de saneamento entre setembro de 2026 e dezembro de 2028 para as cidades que fizeram a renovação do contrato agora. Dependendo da adesão dos municípios, esse valor pode ultrapassar os R$ 350 milhões, calcula a AMM, que participou da costura do acordo com a Copasa. Os novos contratos são válidos até 2073 e têm metas de indicadores dentro do novo marco regulatório do setor de saneamento.

O investidor estratégico que comprar 30% da Copasa assume ainda o compromisso de não concorrência em Minas Gerais em água e saneamento ao menos até 2033, de acordo com um documento do governo mineiro.

Ruídos

Apesar do avanço das etapas preparatórias, o mercado ainda aguarda definições sobre o modelo regulatório e o aval final do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG), que autorizou o andamento do processo. No entanto, condicionou atos definitivos à análise conclusiva.

No início deste mês, o CEO da Sabesp, Carlos Piani, avaliou que o cronograma para a privatização está corrido. Do ponto de vista regulatório, o executivo vê o modelo como menos robusto do que o de São Paulo. “Vamos olhar Copasa, mas observando todas as variáveis”, disse.

O executivo ressaltou também que o processo mineiro ocorre em um calendário mais apertado, considerando as eleições brasileiras. Externamente, o mercado monitora o impacto econômico vindo da tensão geopolítica por conta da guerra no Oriente Médio.

Para os analistas do Banco Safra, com a privatização, haverá ganhos de eficiência adicionais na empresa mineira. “Neste momento, a privatização parece mais provável e a avaliação da Copasa torna-se cada vez mais dependente da concretização desse evento”, disseram os analistas Carolina Carneiro, Daniel Travitzky e Ricardo Bello, em relatório. Hoje o banco estima um preço-alvo para a companhia mineira de R$ 65,00. Com a privatização, pode subir para R$ 80,00. Na tarde desta sexta-feira, a ação é negociada na B3 em R$ 56,93.

Contatos: altamiro.junior@estadao.com; elisa.ferreira@estadao.com

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