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Presidente da Bolívia diz que facções criminosas ‘são parte de um ciclo de terrorismo’

16 de março de 2026

Por Gabriel Hirabahasi

Brasília, 16/03/2026 – O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, disse nesta segunda-feira, 16, que facções criminosas “são parte de um ciclo de terrorismo”. Ele defendeu a prisão de um traficante na Bolívia que, segundo ele, “gerava uma espécie de terrorismo, de instabilidade, de submissão”.

O comentário ocorreu ao ser questionado sobre a possibilidade de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Paz não foi explícito, mas ressaltou que, para além das “classificações de ordem de vocabulário”, a Bolívia já agiu concretamente ao capturar esse traficante, em uma defesa implícita dessa agenda.

“Para além das classificações, de ordem de vocabulário, nós acabamos de fazer um esforço enorme, muito importante para a Bolívia, de entregar um dos quatro principais narcotraficantes que na Bolívia gerava uma espécie de terrorismo, de instabilidade, de submissão. Hoje nossa sociedade está mais livre”, disse o presidente boliviano.

Paz se referia à prisão de Sebastián Marset, traficante uruguaio detido em uma megaoperação na Bolívia na última sexta-feira (13). Marset tem ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC), do Brasil.

“O grau de classificação do terrorismo é comum, é diverso, mas, para nós, ter feito o que fizemos é mais que centrar em nossa missão contra o crime organizado, contra as máfias, mas contra o terrorismo, porque são parte de um ciclo de terrorismo”, completou.

As facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), as duas maiores do Brasil, estão no centro de uma discussão sobre se devem ou não ser enquadradas como organizações terroristas. Há uma intenção do governo dos Estados Unidos de reclassificar essas facções como organizações terroristas.

Paz realiza visita de Estado no Brasil. Reuniu-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Palácio do Planalto pela manhã. Em seguida, foi ao Itamaraty, onde foi recebido pelo presidente brasileiro em um almoço, como é de praxe. Após o almoço, falou com a imprensa brasileira e boliviana presente no local.

O presidente da Bolívia também foi questionado sobre o comércio de gás natural com o Brasil. Disse que seu país está discutindo uma nova lei sobre o assunto. Afirmou que “essa lei não vai beneficiar o Estado, mas a capacidade de desenvolvimento dos bolivianos”.

“Se queremos crescer precisamos nos associar com aqueles que podem gerar investimento, têm tecnologia, conhecimento, mas além disso mercados. O Brasil tem capacidade de investimento, tem a tecnologia, tem conhecimento, mas além disso tem um enorme mercado que não deixa de gerar energia. E a Bolívia nos próximos anos tem que gerar essa energia, não só para cobrir nossa demanda interna, mas para poder exportar gás ou outro tipo de energias que chegamos hoje a acordos com o governo do Brasil para desenvolver”, afirmou.

Paz fez um discurso evitando pechas ideológicas. Também elogiou a “franqueza e forma direta de falar do presidente Lula”.

“Se a Bolívia e os governos não entendermos que somos parte de um contexto local com cinco fronteiras e depois somos parte de um contexto de mudanças geopolíticas e geoeconômicas, já não é um problema de discursos ideológicos nem discursos vinculados a uma esquerda ou uma direita”, declarou.

Contato: gabriel.hirabahasi@broadcast.com.br

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