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“Nunca distribuímos CDB do Master nem COE da Ambipar”, diz presidente do Itaú

5 de fevereiro de 2026

Por André Marinho e Altamiro Silva Junior

São Paulo, 05/02/2026 – O presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho, afirmou hoje que o caso do Banco Master gerou forte efeito no sistema financeira, não por conta do tamanho do banco, mas por sua base de depósitos oferecidos no mercado por plataformas de investimento, e defendeu seriedade dos participantes do mercado para construir modelos de negócios sustentáveis.

“Nunca distribuímos CDBs (certificados de depósito bancário) do Banco Master, por convicção, e nem COE (certificados de operações estruturadas) da Ambipar”, disse Maluhy a jornalistas. Tanto os CDBs do Master como o COE da Ambipar prometiam rentabilidade alta, acima da média de mercado, mas acabaram gerando muita dor de cabeça aos investidores.

“Tem um elemento adicional que é a seriedade, de construir modelos de negócios que são sustentáveis, e que a gente coloca os interesses do sistema e dos clientes na frente dos interesses do banco”, disse Maluhy em seguida, na teleconferência com analistas. “É dessa forma que a gente trabalha no Itaú Unibanco, apesar de vermos no mercado um fenômeno que muitas vezes não acontece dessa forma, são os interesses da companhia na frente dos interesses do sistema.”

“Não existe responsabilidade maior do que qualquer instituição olhar seus processos, seus clientes, seu sistema e pensar que impactos vai gerar”, disse Maluhy. “Isso não dá para terceirizar, não é culpa do regulador, não é culpa de ninguém.”

Maluhy disse que as taxas de CDB do Master eram “muito fora de mercado” e com grandes comissões para as plataformas de investimento. “Então, o incentivo foi colocado de forma equivocada e os interesses da plataforma na frente dos interesses do sistema e dos clientes.”

Só o Master, incluindo o Will Bank, que era controlado pelo banco de Daniel Vorcaro e teve liquidação decretada pelo Banco Central em janeiro, gerou impacto para o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 55 bilhões. É um evento que pode ter impacto na sociedade, na captação de empréstimos e no preço dos investimentos, ressaltou o presidente do Itaú.

“É um evento muito relevante, dos maiores já observados no sistema financeiro brasileiro”, disse Maluhy, ressaltando que o FGC precisa ser recapitalizado. “Não há qualquer dúvida com relação a isso, porque entendemos que é importante passar essa mensagem para todos os investidores, todos os clientes, que todos os dias compram depósitos dos bancos, que o fundo tem patrimônio e que ele vai estar capitalizado diante de um evento.”

Contato: andre.marinho@estadao.com; altamiro.junior@estadao.com

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