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7 de abril de 2026
Por André Marinho, Altamiro Silva Junior e Eduardo Laguna
São Paulo, 07/04/2026 – O economista Nouriel Roubini, da New York University Stern School of Business, estima 75% de probabilidade de haver uma escalada na guerra dos Estados Unidos no Irã. Roubini ficou conhecido como o “doutor apocalipse”, por ter previsto corretamente a eclosão da grande crise financeira de 2008.
Em discurso durante evento organizado pelo Bradesco BBI, em São Paulo, Roubini disse ainda ver 25% de chance de um arrefecimento do conflito. Neste cenário, o mercado financeiro reagiria com alívio, mesmo que esse resultado seja estrategicamente negativo para os Estados Unidos e aliados.
O economista vê um cenário mais provável de um recrudescimento nas disputas bélicas com vitória americana, em 55% de possibilidade. Por outro lado, ele cita 20% de chance de a piora ocorrer, mas sem um triunfo dos EUA.
Para Roubini, se o presidente dos EUA, Donald Trump, aceitar um cessar-fogo nas condições atuais, o Irã vai continuar controlando o Estreito de Ormuz, o que manterá um prêmio permanente dos preços de petróleo. Neste cenário, o país persa se rearma e o republicano teriam consequência políticas desfavoráveis, com derrota nas eleições de meio de mandato deste ano, na visão dele. “Talvez tenha sido um erro começar essa guerra em primeiro lugar”, argumenta. “Mas agora que eles começaram, parar desse jeito e, na prática, deixar o Irã vencer, será um desastre econômico, financeiro e geopolítico para o Trump”.
‘Hiper-incerteza’
“Estamos em um período de hiper-incerteza, de incertezas sem precedentes na economia mundial”, disse Roubini ao iniciar a palestra no evento do Bradesco BBI. Ele mencionou o conflito na Ucrânia, a guerra de Israel no ano passado com o Hamas e agora a guerra no Irã, além de restrições comerciais de Donald Trump e os efeitos da pandemia nas cadeias produtivas.
“Trump ficou agressivo geopoliticamente”, disse o professor, citando a investida da Casa Branca na Venezuela, no Irã, além de uma retórica mais agressiva com o Canadá e com a Groenlândia. Há ainda dúvidas entre investidores e economistas se existe uma bolha na inteligência artificial, o que Roubini não acredita. Outro temor é de um problema sistêmico no mercado de crédito privado nos Estados Unidos, mencionou ao falar da elevada incerteza.
No caso do conflito do Irã, Roubini avalia que os efeitos nos preços do petróleo já são maiores do que na investida de Israel na Palestina em 2025, que teve impacto temporário, mas devem ser menores que os efeitos dos choques de petróleo dos anos 70. A razão é que há mais países produtores do óleo no mundo, como o Brasil, e mais fontes alternativas de energia hoje na economia mundial.
“É óbvio que quanto mais durar a guerra no Irã, pior será o impacto nos preços do petróleo e na inflação”, disse Roubini. Para ele, os mercados estão precificando neste momento que Trump quer uma solução para o conflito, mas este pode não ser o caso. De qualquer forma, o professor avalia que haverá “algum” impacto na inflação mundial e também no desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) global.
Contato: andre.marinho@estadao.com
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