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Motta sobre Banco Master: Houve exagero da mídia sobre papel que ministro Toffoli cumpriu

26 de fevereiro de 2026

Por Naomi Matsui e Victor Ohana

Brasília, 25/02/2026 – O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta quinta-feira, 26, que houve um “exagero” na mídia sobre a condução do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli no caso do Banco Master. Toffoli era o relator do processo, mas se afastou do posto.

“Houve um exagero da parte da mídia e, no geral, do papel que o ministro Toffoli cumpriu. Ele atendeu esses pedidos e vinha conduzindo, como sempre conduziu, com muito equilíbrio, as suas decisões. Talvez o afã de se querer sangue, de se querer atacar a conduta das pessoas acerca disso, na minha avaliação, se sobrepõe àquilo que é razoável de se fazer”, declarou Motta, em entrevista ao Metrópoles.

O deputado falou que não se furtará de tratar nenhum tema, mas que analisará os pedidos de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) por ordem cronológica de apresentação. Deputados o pressionam para instalar uma CPI sobre o Master.

“Acho errado você mudar a escopo do CPI que estava apresentado com o intuito de se fazer palanque eleitoral sobre outro assunto. CPI tem escopo”, disse.

Motta falou que os órgãos estão apurando o caso Master e que confia na condução feita pelo novo relator do caso no STF, o ministro André Mendonça. “O ministro André Mendonça […], com certeza, conduzirá com imparcialidade, com responsabilidade e buscando sempre proteger o nosso país”, disse.

Ontem, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado aprovou convite para o comparecimento de Toffoli ao colegiado e a quebra de sigilo fiscal da Maridt Participações no período entre 2022 e 2026. Toffoli é sócio da empresa, que vendeu parte do resort Tayayá a um fundo ligado ao Banco Master.

A comissão aprovou ainda a convocação de dois irmãos do ministro do STF, José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, que são gestores da Maridt. Pelo tipo de requerimento votado, a presença deles para prestar depoimento à CPI é obrigatória. Já a de Toffoli é facultativa. O colegiado também avalizou o convite ao ministro do STF Alexandre de Moraes e a convocação de Daniel Vorcaro, dono do Master, além da quebra de sigilos do banco.

Os ministros do STF têm sido alvo de questionamentos por vínculos com o Master e entraram no radar da CPI do Crime Organizado. O escritório da mulher de Moraes firmou contrato de R$ 129 milhões com o banco. Já Toffoli, que era relator na Corte das investigações sobre fraudes no Master, é sócio anônimo da empresa Maridt, que é dirigida por dois irmãos dele e tinha participação em dois resorts da rede Tayayá. A empresa vendeu sua fatia no negócio de hospedagem no Paraná a fundo de investimento que tinha como acionista o pastor Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Vorcaro.

No último dia 12, sob pressão de colegas, Toffoli deixou a relatoria do caso Master no STF. Um dia antes, a Polícia Federal havia indicado ao presidente do tribunal, Edson Fachin, a suspeição do ministro após encontrar menções a ele no celular de Vorcaro. A Fachin e a seus colegas, Toffoli negou relações pessoais com Vorcaro e desmentiu ter recebido recursos do banqueiro, embora tenha admitido ser sócio da empresa Maridt. O ministro argumentou que em 2021, quando a Maridt vendeu pela primeira vez parte de sua fatia no negócio de hospedagem, ninguém sabia das ligações de Vorcaro com falcatruas. Toffoli afirma que se trata de uma “empresa familiar”, com sede em Marília (SP), administrada por seus irmãos José Eugênio e José Carlos. A colegas da Corte, sustentou que todas as transações financeiras da Maridt foram declaradas à Receita Federal.

Contato: naomi.matsui@estadao.com; victor.ohana@estadao.com

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