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Moody’s atribuiu a classificação Ba1 aos bonds da Petrobras

3 de setembro de 2025

Por Ana Paula Machado

São Paulo, 03/09/2025 – A Moody’s atribuiu a classificação Ba1 aos bonds, com vencimento em 2030 e 2036, que serão emitidos pela Petrobras. Segundo a agência, as classificações atuais da estatal, incluindo seu Rating Corporativo (CFR) Ba1, permanecem inalteradas. A perspectiva é estável.

Segundo a Moody’s, apesar de ser uma estatal, a probabilidade de a Petrobras entrar em default em decorrência de dificuldades financeiras soberanas é baixa, devido às suas sólidas métricas financeiras e estrutura de capital; à sua baixa dependência de fontes de financiamento domésticas; à sua limitada exposição ao risco cambial, devido à baixa participação no negócio de refino; e ao fato de cerca de 30% de suas vendas serem relacionadas a exportações.

“Além disso, esperamos que a disciplina operacional e financeira da empresa continue a sustentar sua geração de caixa, o que ajudará a manter sua atual estrutura de capital”, disse a Moody’s. “Por outro lado, a classificação da empresa é limitada por sua exposição a potenciais mudanças de política e pelo risco de interferência do governo em suas decisões comerciais.”

A Moody’s ressaltou que a redução da alavancagem já tem sido uma prioridade para a Petrobras e a meta de dívida bruta e em junho de 2025, a dívida da empresa atingiu US$ 68,1 bilhões com expectativa de chegar a US$ 65 bilhões. “Esperamos que a alavancagem permaneça relativamente estável em 2025, mesmo com a emissão proposta. Presumimos um preço médio do Brent de US$ 67,5/barril para 2025 e US$ 65/barril para 2026.”

A expectativa para a geração de caixa da empresa, de cerca de US$ 32 bilhões em 2025, segundo a Moody’s, é mais do que suficiente para cobrir seus vencimentos anuais de dívida de cerca de US$ 1,8 bilhão a US$ 2,2 bilhões e seus investimentos anuais de capital de cerca de US$ 23 bilhões ao longo do período, permitindo-lhe manter a dívida reportada abaixo de US$ 65 bilhões. Em junho de 2025, a Petrobras possuía US$ 9,5 bilhões em caixa.

“A transação proposta faz parte da estratégia de gestão de passivos da companhia e os recursos serão utilizados para fins corporativos gerais. Continuamos assumindo uma dependência moderada de inadimplência entre a Petrobras e o governo”, disse a Moody’s.

Segundo a agência, a perspectiva estável dos ratings da Petrobras reflete o rating soberano estável do Governo do Brasil e a visão de que o perfil de crédito da companhia permanecerá praticamente inalterado nos próximos 12 a 18 meses.

A Moody’s ressalta, no entanto, que poderá revisar essa classificação da Petrobras. Se suas métricas de crédito estiverem pelo menos estáveis e houver evidências de exposição significativamente reduzida à influência adversa do governo ou se a classificação soberana do Governo do Brasil for elevada o rating pode ser alterado para cima .

“As classificações da Petrobras podem ser rebaixadas se seu desempenho operacional piorar, ou se houver fatores externos que aumentem seu risco de liquidez ou alavancagem de dívida acima dos níveis atuais de forma sustentada; se a qualidade de sua governança corporativa diminuir, aumentando sua vulnerabilidade à interferência governamental adversa; ou se a classificação soberana do Governo do Brasil for rebaixada”, disse a agência.

Contato: ana.machado@estadao.com

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