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3 de março de 2026
Por Leandro Silveira
São Paulo, 03/03/2026 – O sócio-diretor da MacroSector, Fábio Silveira, avaliou ao Broadcast Agro que o bom desempenho do agro em 2025, com alta de 11,7% no Valor Adicionado da Agropecuária e avanço de 12,1% no quarto trimestre ante igual período de 2024, pode dar lugar a um cenário bem mais desafiador em 2026. Com peso estimado em cerca de 25% do PIB quando considerada toda a cadeia do agronegócio, o setor tende a se tornar um dos principais vetores de desaceleração da economia brasileira ao longo deste ano.
A MacroSector projeta crescimento de apenas 1,7% para o PIB brasileiro em 2026, abaixo dos 2,3% registrados em 2025. “A agropecuária vai puxar para baixo, seguramente”, afirmou. “Como a metodologia de cálculo da agropecuária é quantitativa, e como o cenário não é favorável ao incremento de produção das lavouras, a fragilização do agronegócio em 2026 vai ser um dos fatores de enfraquecimento do PIB brasileiro”, acrescentou.
Em 2025, o avanço do setor foi sustentado pelo aumento da produção e da produtividade agrícola, com destaque para milho (+23,6%) e soja (+14,6%), que alcançaram safras recordes. No quarto trimestre, a agropecuária cresceu 12,1% na comparação anual, contribuindo para a alta de 1,8% do PIB total no período.
Silveira pondera, porém, que os números refletem essencialmente volume, não rentabilidade. “A leitura do PIB agropecuário é quantitativa. Ela não trata de valor adicionado”, disse. “A gente está falando de volume. A dinâmica da rentabilidade foi desfavorável”, acrescentou.
Segundo ele, 2025 foi um dos piores anos em termos de margem para produtores de soja e milho em Estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. A combinação de preços internacionais mais fracos com valorização do real reduziu as receitas em reais, enquanto muitos insumos haviam sido adquiridos com dólar mais alto. “Em termos de rentabilidade, o segundo semestre de 2025 foi um horror”, resumiu.
O economista chama atenção para os dados do Banco Central que apontam níveis recordes de inadimplência em Estados agrícolas. “Mato Grosso está com nível de endividamento e inadimplência altíssimo. Isso é fato”, afirmou.
Para 2026, as projeções de produção de grãos já indicam recuo frente a 2025 O risco também atinge culturas como cana e café, pressionadas por preços internacionais mais baixos e margens comprimidas. “As quatro grandes culturas – soja, milho, cana e café – estão em perigo de queda em 2026”, alertou.
Diante do peso do agronegócio na economia, o impacto tende a extrapolar o campo. A cadeia envolve insumos, indústria de transformação, logística e serviços, ampliando o efeito multiplicador sobre o PIB. “Com o agronegócio representando cerca de 25% do PIB brasileiro, qualquer enfraquecimento relevante vai contaminar o resultado agregado”, afirmou Silveira.
Na avaliação do economista, a combinação de volume menor e rentabilidade ainda pressionada forma um quadro mais delicado que o de 2025. “Fechamos 2025 com bom volume e rentabilidade ruim. Em 2026, teremos volume ruim e rentabilidade que não parece que vai ser melhor do que a do ano passado. É um ano bastante preocupante”, concluiu.
Contato: leandro.silveira@estadao.com
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