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3 de março de 2026
Por Gabriel Hirabahasi, Eduardo Laguna e Geovani Bucci
Brasília e São Paulo, 03/03/2026 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu uma mudança na jornada de trabalho para garantir mais “comodidade” e “prazer” aos trabalhadores. Ao mesmo tempo, disse ser preciso entender que “há especificidades” entre as diferentes categorias e que um entregador pode querer uma escala diferente da de um sindicalista, por exemplo.
Foi um discurso mais pacificador e menos voltado ao que a militância petista normalmente defende e aplaude. O discurso de Lula, por exemplo, foi mais voltado às diferentes demandas da sociedade (dos trabalhadores e dos empresários) do que o de autoridades que o antecederam, como o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, e a ministra do Planejamento, Simone Tebet.
“O que nós estamos tentando é construir um conjunto de propostas que interessa a empresários e a trabalhadores, que interessa ao país para dar mais comodidade nesse mundo nervoso para que as pessoas tenham mais tempo de estudar, tenham mais tempo de ficar com a família, tenham mais tempo de descansar”, disse o presidente.
“Possivelmente a jornada que os entregadores de pizza querem é uma diferente daquela que os trabalhadores querem na Volkswagen ou a na Mercedes-Benz. Então, não é preciso a gente carimbar todo mundo na mesma coisa. O que é preciso é a gente garantir que todos sejam premiados em função da sua realidade. Porque senão, a gente vai ficar no mesmo”, afirmou.
A modulação no discurso de Lula é uma forma de atingir também outra parcela do eleitorado: aqueles que se veem mais como microempreendedores do que trabalhadores. É a mesma lógica que o presidente passou a seguir ao defender a regulação da atividade dos trabalhadores de aplicativo, por exemplo.
“Qual é a jornada ideal? Para muitas categorias, há jornadas diferenciadas, e nós temos que encontrar o que é bom para cada um. Você pode ter até uma regra geral, mas na hora de regulamentar essa regra geral, vai ter que cair na especificidade, em função da realidade de cada categoria”, afirmou.
O petista disse que a mudança na jornada de trabalho vai ser discutida na Câmara e no Senado e “vai sair alguma coisa”. Afirmou que será uma mudança boa se for “resultado de um acordo entre empresários, trabalhadores e governo”.
“O governo não vai fazer como antigamente, vender para um lado, porque há 30 anos atrás, há 20 anos atrás, os empresários se utilizavam muito do peso da máquina do Estado, da força do Estado, para prejudicar os trabalhadores. Dessa vez não vai acontecer. Nós não iremos contribuir para prejudicar os trabalhadores, não iremos contribuir. E também não queremos contribuir com o prejuízo da economia brasileira”, afirmou
Lula completou: “Nós queremos contribuir para que de forma bem pensada, bem harmonizada, a gente possa encontrar uma solução”.
Ao mesmo tempo, o presidente criticou a desigualdade existente nas plataformas de entregas de refeições e outros produtos e de transporte. Disse que há “empresários hoje das plataformas que têm mais dinheiro do que o PIB de muitos países pobres, e isso não é justo”. Afirmou, também, que há pessoas que “recebem dividendos, esses também não pagam imposto de renda”.
“Os empresários sempre vêem um jeito de escapar. Quem não consegue escapar é a pessoa que recebe o holerite no final do mês”, afirmou.
Contatos: gabriel.hirabahasi@estadao.com; eduardo.laguna@estadao.com e geovani.bucci@estadao.com
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