Plataformas Broadcast
Soluções de Dados e Conteúdos
Broadcast OTC
Plataforma para negociação de ativos
Broadcast Datafeed
APIs para integração de conteúdos e dados
Broadcast Ticker
Cotações e headlines de notícias
Broadcast Widgets
Componentes para conteúdos e funcionalidades
Broadcast Wallboard
Conteúdos e dados para displays e telas
Broadcast Curadoria
Curadoria de conteúdos noticiosos
Broadcast Quant
Plataformas Broadcast
Soluções de Dados e Conteúdos
Soluções de Tecnologia
31 de março de 2026
Por Gabriel Azevedo
São Paulo, 31/03/2026 – Os fretes rodoviários de grãos devem permanecer em patamares elevados em abril, com o escoamento da safra recorde de soja ainda em pleno curso, a proximidade da colheita do milho e o reajuste do piso mínimo da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) sustentando as cotações nas principais regiões produtoras do País. A avaliação é da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em Boletim Logístico que aponta que a pressão sobre o transporte, intensa em fevereiro e no pico em março, não deve ceder com facilidade nos próximos meses.
Segundo o sexto levantamento da safra brasileira de grãos, divulgado pela Conab em 13 de março, a produção total de 2025/26 deve atingir 353,4 milhões de toneladas, crescimento de 0,3% sobre o ciclo anterior e novo recorde na série histórica da companhia. Para a soja, a projeção é de 177,8 milhões de toneladas. Até a semana de 9 de março, cerca de 50,6% da área plantada com a oleaginosa havia sido colhida, com o ritmo intenso dos trabalhos em campo em várias regiões.
“A tendência é de manutenção das cotações em patamares elevados ao longo dos próximos meses”, avaliou a Conab, ao citar a grande oferta de soja ainda a ser escoada, a proximidade da colheita do milho e a necessidade de liberar espaço nos armazéns para o giro dos estoques. O saldo remanescente de milho no campo ainda era superior a 5% em Mato Grosso no fechamento de fevereiro, o que amplia a disputa por caminhões no período de transição entre as duas colheitas.
Em Mato Grosso, maior produtor nacional de grãos, os fretes subiram em praticamente todas as rotas em fevereiro, referência base do boletim. A partir de Sorriso, o frete para Santos passou de R$ 510 para R$ 520 por tonelada, alta de 2% no mês e de 6% frente a fevereiro de 2025. Para Paranaguá, a cotação avançou de R$ 480 para R$ 500, acumulando alta de 9% no ano. A partir de Querência, no Vale do Araguaia, a alta mensal chegou a 19% na rota para Colinas (TO) e a 14% para Araguari (MG).
A Conab destacou que os investimentos em infraestrutura realizados nos últimos anos em Mato Grosso, com ampliação da malha asfaltada e expansão de terminais de transbordo, têm permitido que o escoamento ocorra com “relativa celeridade e maior eficiência” mesmo diante das chuvas intensas de fevereiro. Ainda assim, a companhia ressaltou que a logística precisa se manter alinhada aos trabalhos a campo para evitar gargalos.
Em Goiás, os gargalos climáticos da primeira quinzena de fevereiro produziram as variações mais expressivas registradas no boletim. Com chuvas intensas retendo frotas nos pátios e impedindo carregamentos nas fazendas, o mercado passou a cobrar o chamado “frete de espera”. A rota Rio Verde-Santos subiu 32% no mês, de R$ 265 para R$ 351 por tonelada. Para Araguari e Uberaba, os reajustes a partir de Rio Verde chegaram a 58% e 56%, respectivamente. Em Cristalina, a rota para Uberaba operou com picos de R$ 150 por tonelada. O cenário foi agravado pelo plantio tardio do milho segunda safra, que atingiu apenas 60% da área prevista até o fim de fevereiro, comprimindo a janela logística e elevando os riscos agronômicos.
No Distrito Federal, os fretes subiram entre 4% e 6% em fevereiro frente a janeiro, com as maiores altas nos destinos para Minas Gerais, São Paulo e Paranaguá. A rota Brasília-Santos passou de R$ 321,67 para R$ 333,33 por tonelada. O diesel S10 estava cotado a R$ 6,11 por litro em fevereiro. Para o período que se abre agora, a Conab projeta alta adicional de até 15% no transporte de grãos, em função do ápice do escoamento da soja e do milho.
Um fator de pressão comum a todos os estados é a Resolução nº 6.076/2026 da ANTT, publicada em 20 de janeiro, que atualizou o piso mínimo do transporte rodoviário de cargas com reajuste superior a 3% e mudanças na metodologia de cálculo. Em Mato Grosso do Sul, a companhia destacou ainda que a intensificação da fiscalização eletrônica pelo pagamento de frete via meios eletrônicos reduziu a margem para negociações abaixo dos valores estabelecidos. Até o final de fevereiro, a colheita da soja no estado havia alcançado cerca de 55% da área cultivada.
As exportações brasileiras de soja em grãos em janeiro e fevereiro somaram 8,9 milhões de toneladas, avanço de 20% sobre as 7,4 milhões de toneladas do mesmo período de 2025. Os portos do Arco Norte responderam por 38,4% do volume, ante 33,1% no ano anterior. Santos concentrou 36,8% dos embarques e Paranaguá ficou com 20,9%. Mato Grosso, Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás foram os principais estados de origem das cargas.
As exportações de milho em janeiro a fevereiro totalizaram 5,8 milhões de toneladas, ante 5 milhões de toneladas no mesmo período de 2025. O Arco Norte ampliou sua participação de 30,6% para 40,8% do escoamento, enquanto Santos manteve 33,5%.
O boletim também sinalizou risco crescente no abastecimento de fertilizantes. As tensões no Oriente Médio pressionam a oferta internacional de ureia e nitrato de amônia, com relatos de retirada de ofertas por países produtores e restrições à navegação no Estreito de Ormuz. O Brasil, que importa a maior parte dos fertilizantes que consome, registrou importações de 2,38 milhões de toneladas em fevereiro de 2026, ante 2,29 milhões de toneladas no mesmo mês de 2025. O consumo nacional foi estimado em 51,7 milhões de toneladas no ciclo mais recente, o que eleva a exposição do setor a choques externos.
Contato: gabriel.azevedo@estadao.com
Veja também