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Kepler Weber aprova acordo para venda à GPT por R$ 11 por ação mais parcela adicional

2 de março de 2026

Por Gabriel Azevedo

São Paulo, 02/03/2026 – A Kepler Weber informou nesta segunda-feira, em Fato Relevante, que seu Conselho de Administração aprovou a assinatura do contrato que estabelece os termos da combinação de negócios com a americana Grain & Protein Technologies (GPT), dona da marca GSI. O documento estabelece as regras para que todas as ações da fabricante brasileira de silos sejam incorporadas por uma empresa criada pela compradora. A assinatura foi aprovada pelo Conselho de Administração em reunião extraordinária realizada ontem (1º).

A formalização ocorre após quase quatro meses de negociações iniciadas em 10 de novembro de 2025, quando a Kepler confirmou ter recebido proposta não vinculante e concedido exclusividade de 90 dias à GPT. O prazo foi prorrogado duas vezes, primeiro até 15 de fevereiro e depois até 27 de fevereiro, enquanto as partes avançavam na diligência e na definição dos termos finais.

A proposta revisada enviada em 28 de fevereiro prevê pagamento de R$ 11,00 por ação, em dinheiro, para quem optar pela chamada Classe A. Além disso, há um valor adicional de R$ 1,00 por ação, que poderá ser pago no futuro caso determinadas condições previstas no contrato sejam cumpridas.

Para quem escolher a Classe B, a contraprestação combina 0,4299 quota da GPT Brasil com R$ 8,00 em dinheiro por ação, além do mesmo valor adicional de R$ 1,00. Essa parcela de R$ 1,00 ficará retida e poderá ser liberada em duas etapas: R$ 0,70 até o quinto ano após o fechamento e R$ 0,30 até o décimo ano. A compradora poderá usar esse montante para compensar eventuais perdas ligadas a processos judiciais em curso contra a Kepler previstos no acordo.

O valor da companhia foi calculado com base nas demonstrações financeiras de 30 de setembro de 2025. Desembolsos realizados entre essa data e o fechamento poderão reduzir o montante final a ser pago. Parte do pagamento em dinheiro poderá ser corrigida pela variação do CDI em período específico após a assinatura.

Embora tenha autorizado a assinatura, o conselho da Kepler solicitou dois documentos adicionais à GPT até a convocação da assembleia que deliberará sobre a operação: uma carta do agente financeiro confirmando o financiamento e uma manifestação formal do Fundo VIII da American Industrial Partners, controladora da GPT, comprometendo o aporte de capital necessário para a liquidação. O fato relevante ressalta que a ausência desses documentos não impede a convocação da assembleia nem a conclusão do negócio.

A transação ainda depende do compromisso de voto da Trígono Capital, maior acionista da Kepler Weber, com 15,30% do capital, além de seus fundos e do CIO Werner Roger, para votar a favor da operação. A companhia informou que comunicará o mercado quando houver atualização sobre esse ponto.

O Itaú BBA emitiu parecer sobre a relação de troca e concluiu pela justeza dos termos negociados. O documento será disponibilizado aos acionistas na convocação da assembleia.

A assinatura do contrato ocorre dias após a divulgação do balanço do quarto trimestre de 2025. A Kepler Weber registrou lucro líquido de R$ 64,8 milhões no período, alta de 28,5% em relação ao mesmo trimestre de 2024, impulsionada por um crédito tributário não recorrente de R$ 11,4 milhões. A receita líquida somou R$ 398,7 milhões, queda de 13,3%, e o Ebitda atingiu R$ 67,5 milhões, recuo de 17,7%, com margem de 16,9%.

No acumulado de 2025, a companhia teve receita líquida de R$ 1,490 bilhão, baixa de 7,3%, e lucro líquido de R$ 156,3 milhões, retração de 21,5%. Em teleconferência realizada em 26 de fevereiro, o diretor financeiro e de Relações com Investidores, Renato Arroyo, afirmou que o resultado não alteraria o curso das negociações. “Era um resultado de certa maneira esperado pelo mercado. Não seria uma mudança de diretriz nas negociações entre as partes”, disse.

Caso a operação seja aprovada pelos acionistas e pelas autoridades antitruste no Brasil e na Colômbia, a Kepler Weber deixará o Novo Mercado da B3 e poderá ter seu registro convertido para categoria B ou cancelado.

Esta é a terceira tentativa da GSI de adquirir a companhia brasileira. Em 2007, durante uma crise financeira da Kepler, houve uma primeira aproximação. Em 2017, já sob controle da AGCO, a GSI apresentou proposta de US$ 185 milhões e chegou a negociar com Previ e Banco do Brasil, então detentores de 35% do capital, mas desistiu posteriormente.

Líder no mercado brasileiro de armazenagem de grãos, a Kepler Weber está avaliada em cerca de R$ 2 bilhões na B3. A GPT, controlada pelo fundo de private equity American Industrial Partners, comprou a GSI da AGCO em 2024 e busca ampliar sua presença no Brasil por meio da aquisição da líder local.

Contato: gabriel.azevedo@estadao.com

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