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30 de março de 2026
Por Cecília Mayrink
São Paulo, 30/03/2026 – A expansão dos medicamentos GLP-1, também conhecidos como canetas emagrecedoras, tem impactado o setor farmacêutico e segmentos adjacentes da economia, na visão do Itaú BBA. As estimativas apontam para um mercado que pode quintuplicar de tamanho até o fim da década, com a entrada de genéricos e aumento da demanda. Assim, analistas do banco levantaram discussões sobre os impactos indiretos desse movimento, como mudanças nos hábitos de consumo alimentar e possíveis efeitos sobre empresas de alimentos e bebidas.
Segundo o analista do setor de consumo e varejo Kelvin Dechen, a popularização das canetas emagrecedoras tem sido um importante vetor de crescimento para o varejo farmacêutico. “Atualmente, há uma restrição relevante de oferta por parte da indústria, o que faz com que o produto seja direcionado majoritariamente às grandes redes. Como resultado, as companhias que cobrimos detêm, em média, um market share no mercado de GLP-1 cerca de duas vezes superior à sua participação no varejo farmacêutico como um todo”, observa.
Dechen pontua ainda que a entrada dos genéricos tende a destravar valor para o setor e para as farmácias da cobertura do Itaú BBA, sustentando uma boa performance das ações. No entanto, o mercado de GLP-1 ainda está em estágio inicial no Brasil e o principal limitador de crescimento é a restrição de oferta, com a demanda superando a disponibilidade de produtos. “Trata-se de um produto com tíquete médio bastante alto, porém com margem bruta unitária inferior à média do sortimento das farmácias. Ainda assim, o resultado é um lucro bruto nominal relevante”, completa.
O head de agronegócio, alimentos e bebidas, Gustavo Troyano, explica, por sua vez, que estudos recentes nos Estados Unidos mostram que o segmento de alimentos e bebidas está entre os mais negativamente afetados pelo uso de medicamentos para controle de peso.
“No curto prazo, porém, o desempenho das empresas sob cobertura ainda não incorpora essas mudanças nas tendências de consumo, já que a penetração desses produtos no Brasil permanece baixa em relação ao tamanho e à relevância do mercado doméstico de alimentos e bebidas. À medida que os preços desses medicamentos seguem em trajetória de queda, a acessibilidade deve aumentar e a adoção tende a crescer no País, o que pode tornar essas alterações de consumo cada vez mais relevantes para o setor”, pontua.
Troyano avalia que, entre as companhias de alimentos e bebidas, Ambev, M. Dias Branco e Camil tendem a ser as mais prejudicadas pela adoção crescente desses medicamentos, já que seu portfólio é concentrado em categorias que os usuários desses tratamentos normalmente reduzem.
Apesar disso, ele explica que o impacto atual ainda é limitado, pois a base de usuários no Brasil permanece em níveis baixos e representa apenas uma parcela pouco relevante do mercado endereçável. Segundo o profissional, para mitigar esses efeitos, as empresas vêm ampliando seu portfólio com linhas de produtos mais saudáveis que podem substituir itens tradicionais.
Já o setor de proteínas aparece como um potencial beneficiado, afirma Troyano, uma vez que o uso desses medicamentos pode levar à redução de massa magra e estimular uma demanda maior por proteínas.
No setor de saúde, o analista de saúde Lucca Marquezini avalia que empresas como a Hypera podem capturar esse mercado com versões mais baratas dos medicamentos, mas isso não acontece de forma imediata. “Mesmo com o fim da patente, ainda há etapas regulatórias e ajustes de preço antes de o produto ganhar escala nas farmácias, o que sugere uma contribuição mais relevante a partir do fim de 2026 ou 2027. Os principais desafios são a concorrência intensa entre vários laboratórios, o tempo de aprovação regulatória e a necessidade de investir em divulgação médica para estimular prescrições”, diz.
Para o profissional, o lançamento de um GLP-1 próprio em 2026 tem potencial de destravar valor para a Hypera. No curto prazo, porém, Marquezini destaca que é provável que a rentabilidade sofra alguma pressão, já que a empresa precisará investir em força de vendas, visitas médicas e marketing para ganhar escala. “Em termos de valor para a ação, o impacto depende muito do ritmo de adoção e da participação de mercado conquistada, funcionando hoje mais como uma opcionalidade do que como algo totalmente refletido no preço”, afirma.
Contato: cecilia.kuinghttons@estadao.com
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