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Isa Energia pode voltar a disputar leilões em 2026, diz presidente da companhia

25 de fevereiro de 2026

Por Luciana Collet

São Paulo, 24/02/2026 – A entrega de três novos projetos de linhas de transmissão nos últimos meses, antes do prazo contratual, com o consequente início antecipado do recebimento de receitas, pode abrir espaço para que a companhia volte a participar de leilões de novos empreendimentos. Após ficar de fora dos últimos certames, preferindo focar na entrega do portfólio existente, a companhia pode comparecer na próxima disputa, marcada para o fim de março.

Segundo o presidente da companhia, Rui Chammas, a energização dos projetos Água Vermelha, em junho de 2025, e Riacho Grande, em outubro do ano passado, além do bloco 1 de Piraquê, em novembro, permitirá que a transmissora comece a desalavancar um pouco antes do esperado. Os projetos foram entregues 5 a 22 meses antes do previsto no cronograma da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), refletindo um investimento acelerado da companhia no último ano, quando foi desembolsado um volume recorde de recursos em projetos novos (greenfield), de R$ 3,4 bilhões.

“Projetos que a gente entenda que são rentáveis, que entrem na nossa curva de alavancagem garantindo a nossa disciplina financeira, sem deixar de lado a nossa prática de 75% de distribuição de proventos, poderão ser considerados. Esses são os elementos que vão nos fazer analisar tanto o leilão de março, quanto o leilão de junho, de reserva de capacidade (baterias)”, disse Chammas à Broadcast, ao ser questionado sobre a potencial participação nos próximos leilões.

Ele lembra que um eventual projeto que seja arrematado nos próximos meses não influenciará na alavancagem deste ano. “Ele [o projeto] terá seu perfil de investimentos, como esse pico que aconteceu em 2025 se deu por lotes arrematados em 2022 e 2023”, disse.

A Isa Energia encerrou 2025 com alavancagem de 3,63 vezes dívida líquida/Ebitda e ainda possui um volume de investimentos remanescente em novos projetos de R$ 6 bilhões, a ser executado entre 2026 a 2028.

Atualmente, a companhia está em fase adiantada de obras para concluir os demais blocos do projeto Piraquê, o maior de sua atual carteira de investimentos. Também já possui mais de 75% de avanço físico das obras do projeto Jacarandá. Ambos devem ser concluídos ainda este ano. Com isso, restarão apenas dois projetos para serem executados nos próximos anos (Serra Dourada e Itatiaia).

A diretora executiva de Finanças, Relações com Investidores e Desenvolvimento de Negócios, Silvia Wada, disse que após o pico de investimentos de 2025, a tendência que o volume de investimentos caia neste ano e nos próximos, especialmente para os projetos greenfield.

Uma outra frente de investimentos, em reforços e melhorias nos ativos existentes, deve se manter acelerada. No ano passado, a Isa Brasil destinou R$ 1,7 bilhão no segmento, volume recorde. Neste caso, segundo Silvia, o patamar de 2025 deve se manter estável. “Não deve variar muito nos próximos anos, porque quando você vê a movimentação, a gente investe, atualiza, e ganha mais autorizações, então está sempre flutuando ali perto de R$ 6 bilhões de saldo”, disse.

Somente no ano passado, foram R$ 2,3 bilhões de autorizações, sendo R$ 1 bilhão no quarto trimestre. Com isso, a companhia encerrou o ano com R$ 6,3 bilhões de carteira a ser executada até o começo da próxima década.

Contato: luciana.collet@estadao.com

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