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Galípolo: não me incomodam as críticas do governo à taxa de juros

24 de novembro de 2025

Por Daniel Tozzi, Eduardo Laguna e Francisco Carlos de Assis

São Paulo, 24/11/2025 – O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse há pouco que quem está no Banco Central não pode se dar ao direito de se incomodar com eventuais críticas por parte do governo em relação ao nível da taxa de juro.

“Se você está numa posição que você tem muita gente que é afetada pela sua atuação, pode existir pressão e pode existir gritaria. Se você não vai se dar bem com isso, o Banco Central não é um local adequado”, disse Galípolo durante o almoço anual da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em São Paulo.

Ele também destacou que é natural que sempre haja argumentações em favor “dos dois lados” em relação à condução da política monetária e que é natural que o próprio governo traga o seu ponto de vista. “É um debate que é sempre legítimo, democrático, e se o governo não puder falar, não puder debater, não puder propor, quem vai poder?”, indagou o presidente do BC.

Na avaliação de Galípolo, quando se encerra um ciclo de alta nos juros, é esperado que se iniciem apostas de quando a taxa Selic começará a cair. Em um cenário como esse, seguiu o presidente do BC, também já é esperado que surjam incômodos com as decisões da autarquia, independente de quais sejam e em que momentos são tomadas.

Assim, Galípolo usou novamente a metáfora de que o BC é sempre o “último zagueiro”, de quem “a bola não pode passar”. “Esse é o papel do Banco Central. E se o Banco Central fizer o papel dele bem feito, geralmente o que vai acontecer com o tempo é, ele (BC) ser acusado pelos dois lados do que ele está fazendo. Não importa em que momento ocorra (um corte de juro) ou deixe de ocorrer. Quando ocorrer ou deixar de ocorrer, vão existir críticas de que foi feito por pressão ou que foi tarde demais.”

Contato: daniel.mendes@estadao.com; eduardo.laguna@estadao.com; francisco.assis@estadao.com

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