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13 de fevereiro de 2026
Por Ludmylla Rocha
São Paulo, 13/02/2026 – A distribuidora Enel São Paulo pediu à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que a avaliação da prestação de serviço durante o apagão de 2025, que afetou mais de quatro milhões de imóveis, considere dados distintos dos eventos anteriores por conta das características meteorológicas da ocorrência.
Em carta enviada à Aneel na quarta-feira, 11, com esclarecimentos adicionais, à qual a Broadcast teve acesso, a concessionária que atende 24 cidades da Região Metropolitana de São Paulo, incluindo a capital, argumentou que o vendaval que atingiu a região em dezembro do ano passado foi inédito por conta de sua extensão e foi, portanto, mais severo e complexo.
“Dados históricos consolidados de estações meteorológicas, disponíveis na plataforma Weather Underground, que agrega medições de múltiplas estações oficiais e aeroportuárias, incluindo Congonhas (SBSP), demonstram que, ao longo de cerca de 12 horas, foram registrados ventos sustentados elevados, com rajadas recorrentes superiores a 60km/h e picos de até 98 km/h, correspondentes à maior rajada de vento registrada naquele momento entre todas as estações meteorológicas”, afirma a empresa no documento.
A carta foi enviada no mesmo dia em que circulou relatório da área técnica da mesma agência reguladora, no qual se apontou que a atuação da empresa foi insatisfatória no evento. “Houve baixa produtividade das equipes, redução significativa de equipes durante o período noturno e madrugada, proporção baixa de veículos de grande porte e indícios de falhas ou falta de manutenção nas redes”, diz a agência em nota.
O relatório da área técnica da Aneel serve como base para a avaliação do caso pelos diretores da agência reguladora que são os que podem aprovar ou não uma recomendação de extinção do contrato ao Ministério de Minas e Energia (MME) que, por sua vez, é quem toma a decisão sobre o assunto, segundo a legislação.
Na nova carta, a distribuidora diz que o evento de 2025, por conta da duração dos ventos de alta intensidade, foi pior que os que causaram os blecautes de 2023 e 2024, que motivaram processo de fiscalização da Aneel.
“Para entender a dimensão do impacto do evento e também do real esforço da Enel SP, é importante avançar para uma análise diferente daquela normalmente usada. Com isso, se mostra mais adequada avaliação do indicador que mostra o total de clientes impactados ao longo de todo o dia do evento”, propõe a concessionária.
A empresa também afirma ter apresentado melhora em indicadores como Tempo Médio de Atendimento a Emergências (TMAE), Tempo Médio de Preparo (TMP), entre outros, na comparação entre os dois apagões, de 2024 e de 2025.
Divergência de dados
A companhia pede também que a Aneel considere em qualquer avaliação sobre seu desempenho “dados finais e consolidados pela Enel SP”. Segundo a própria empresa, os dados encaminhados à agência durante o processo de fiscalização, iniciado no próprio dia do evento, “tinham caráter preliminar, conforme devidamente ressalvado à época, uma vez que foram elaborados em prazos exíguos”.
Em janeiro, tornou-se público, por exemplo, que diferentemente do informado inicialmente, o apagão de dezembro afetou 4,4 milhões de unidades consumidoras, dobro do que havia sido divulgado pela própria empresa durante a ocorrência. Na ocasião, a Enel afirmou que os 2,2 milhões afetados informados anteriormente correspondiam ao pico de clientes desligados simultaneamente e não ao volume acumulado ao longo do apagão.
Estágio do processo
Como mostrou a Broadcast, a Enel São Paulo faz parte das 19 concessionárias que pediram renovação de contrato por mais 30 anos. Neste caso, porém, a Aneel só poderá avaliar o pedido depois de concluir o processo de fiscalização do serviço prestado depois de apagões que atingiram milhões de consumidores e se estenderam por dias nos últimos anos. A decisão foi da Justiça.
A expectativa, entretanto, é que a discussão se arraste para além de 2026 apesar da pressão política já que, caso a Aneel decida abrir um processo de caducidade da concessão, as opções passam antes pela instauração de um plano de resultados e uma eventual intervenção na concessão que, pela lei, pode se estender por até três anos.
Nesses casos, o que acaba ocorrendo é uma pressão para outra opção possível: a transferência do controle da companhia, como a própria Enel já fez em Goiás, quando passou a concessão que tinha no Estado para o Grupo Equatorial. A alternativa é considerada a “mais fácil” e está no radar do mercado.
Contato: ludmylla.rocha@broadcast.com.br
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