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9 de fevereiro de 2026
Por Daniel Tozzi
Economistas do mercado financeiro que se reuniram com diretores do Banco Central na sexta-feira, 6, no Rio de Janeiro, apresentaram cenários que, em sua maioria, convergem para a expectativa de um corte de 0,50 ponto porcentual na taxa Selic em março. Algumas ressalvas, contudo, foram feitas especialmente em relação ao comportamento da economia doméstica na virada de 2025 para 2026, o que tende a moderar o orçamento total de cortes no juro.
No último comunicado oficial do BC, após a reunião de janeiro do Comitê de Política Monetária (Copom), o colegiado pontuou que deve começar o ciclo de flexibilização da Selic no encontro do mês que vem, sem, entretanto, fazer qualquer sinalização quanto ao ritmo de ajuste. As apostas das principais casas do mercado financeiro estão divididas entre um corte de 0,25 ou de 0,50 ponto na Selic.
Conforme relatos obtidos pela Broadcast sob a condição de anonimato, já que essas reuniões com o BC são fechadas à imprensa, houve um consenso de que os sinais para iniciar o ciclo do afrouxamento monetário “estão por toda a parte”, em meio à desaceleração da inflação, valorização do câmbio e o próprio nível já bastante restritivo da Selic atualmente.
Contudo, alguns dos economistas presentes pontuaram que o Produto Interno Bruto (PIB) deve ter apresentado algum crescimento, ainda que modesto, no último trimestre de 2025, contrariando as previsões de que a economia ficaria estável na segunda metade do ano passado.
A preocupação maior se refere ao início de 2026, por conta dos efeitos das medidas de estímulo à demanda promovidas pelo governo federal, com destaque para a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda (IR). “A expectativa de um modo geral foi de um PIB do primeiro trimestre acima de 1% na variação na margem, fundamentalmente por conta de estímulos”, disse uma fonte presente no encontro.
Além dos estímulos do governo e de um maior carrego estatístico vindo de 2025, esse crescimento forte também seria reflexo da antecipação de gastos de Estados e municípios para o início deste ano, tendo em vista o calendário eleitoral.
O cenário, alertaram os presentes do encontro, reforça a visão de que a atividade econômica seguirá desacelerando apenas gradualmente e que a inflação, embora controlada e ainda próxima de 4%, apresenta uma composição “desafiadora” para o BC.
Assim, conforme um dos relatos, as apostas mais pessimistas relatadas na reunião eram de um ciclo de redução de apenas de 2,0 pontos porcentuais – o que levaria a Selic de 15% para 13% – , enquanto as mais otimistas apontaram para um ciclo de 3,0 pontos em cortes, o que levaria a Selic terminal a 12%.
EUA
Durante o encontro, os economistas também trouxeram ponderações em relação à economia dos Estados Unidos, em particular sobre a expectativa para a taxa de juros americana. Nesse sentido, a avaliação dos presentes foi a de que a indicação do economista Kevin Walsh para a presidência do Federal Reserve (Fed, o BC americano) pode ser considerada boa ou menos ruim do que o imaginado. A maioria dos presentes no encontro citou que a expectativa é de que haverá dois cortes na taxa de juros dos EUA neste ano.
Copom desfalcado
Não houve qualquer menção na segunda reunião com o BC aos possíveis indicados para as duas diretorias atualmente vagas na autarquia, a de Política Econômica, e a de Organização do Sistema Financeiro. “Zero, isso não foi tema”, disse um dos presentes.
No início da semana passada, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que indicou ao presidente Lula os nomes do professor da Universidade de Cambridge e da Fundação Getulio Vargas (FGV), Tiago Cavalcanti, e do atual secretário de política econômica da pasta, Guilherme Mello, para as vagas. Não há, porém, qualquer indicação oficial por parte do governo sobre quem serão os indicados.
As reuniões trimestrais entre BC e economistas do mercado servem para que a autoridade monetária possa acompanhar a evolução dos cenários dos economistas. Os dois encontros ocorreram de 9h30 às 11h, e de 11h às 12h30, na sede do BC no Rio, com a presença dos diretores de Assuntos Internacionais e Gestão de Riscos Corporativos e de Política Econômica (interino), Paulo Picchetti, e de Política Monetária, Nilton David.
Contato: daniel.mendes@estadao.com
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