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7 de abril de 2026
Por Aline Bronzati, correspondente
Nova York, 07/04/2026 – Empresas e governos de mercados emergentes buscam cada vez mais financiamento fora do sistema bancário, o que levou a um salto dos fluxos de portfólio para esses países desde a crise financeira global. O capital tomado junto às chamadas instituições não bancárias (NBFIs, na sigla em inglês) cresceu oito vezes e chegou a cerca de US$ 4 trilhões, mostra estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgado nesta terça-feira.
Essa onda de dinheiro veio, principalmente, de fundos de investimento, fundos de pensão, seguradoras e fundos de hedge, cuja participação na dívida e ações de empresas e governos desses países dobrou e chegou a 80% em duas décadas, conforme o organismo. As operações de mercados emergentes com investidores não bancários passaram a representar 15% do Produto Interno Bruto (PIB) em mercados emergentes, acima da fatia de cerca de 9% em 2006. No caso dos países da América Latina e Caribe, essa fatia chega a ultrapassar 20% do PIB.
“Desde a crise financeira global, os fluxos de capital de NBFIs para os mercados emergentes – particularmente os investimentos em títulos de dívida – cresceram acentuadamente em comparação com os fluxos bancários, constituindo uma fonte fundamental de financiamento externo para esses países”, dizem Salih Fendoglu, Mahvash S. Qureshi e Felix Suntheim, em estudo do FMI.
Segundo os autores, o maior acesso a capital pode reduzir custos e sustentar investimento e produtividade nos países emergentes. “As vantagens podem ser significativas” porque “capital abundante pode reduzir custos de financiamento, apoiando maior investimento e crescimento mais forte da produtividade”. O estudo afirma ainda que esse movimento pode ajudar empresas a se integrarem às cadeias globais de valor, motor das exportações, ao facilitar recursos para comércio, capital de giro e outras necessidades.
Mas, ao mesmo tempo, o FMI alerta que esse tipo de fluxo é mais instável. “Os fluxos de portfólio para mercados emergentes tendem a ser mais voláteis do que os fluxos bancários e estão cada vez mais sensíveis às condições de risco global”, dizem os autores. O estudo integra o Relatório de Estabilidade Financeira Global, que será divulgado na íntegra na próxima semana, durante as Reuniões de Primavera do FMI, em Washington.
Fendoglu, Qureshi e Suntheim acrescentam ainda que “retiradas abruptas podem intensificar pressões de financiamento externo, elevar custos de empréstimo e provocar desvalorizações cambiais acentuadas”, com “tensões financeiras que pesam sobre o crescimento econômico”. Esses riscos vieram à tona no contexto da guerra no Oriente Médio, dizem.
“Diversos mercados emergentes estão vivenciando uma reversão dos fluxos de capital provenientes de investidores não bancários não residentes por conta da guerra no Oriente Médio”, afirmam os autores.
Segundo eles, alguns investidores reagem de forma mais brusca a determinados eventos. Como, por exemplo, citam fundos de investimento, que respondem pela maior parte dos investimentos de portfólio em mercados emergentes, e podem estar expostos a pressões súbitas de resgate por parte dos investidores, o que pode forçar vendas rápidas de ativos.
Crédito privado
Um segmento que entrou no radar durante a guerra no Oriente Médio é o de crédito privado. Nos mercados emergentes, os ativos sob gestão estimados nesse setor quintuplicaram na última década e atingiram entre US$ 50 bilhões e US$ 100 bilhões, segundo o FMI.
De acordo com Fendoglu, Qureshi e Suntheim, o crédito privado apresenta desafios adicionais diante do rápido crescimento. “Embora o crédito privado possa ampliar o acesso ao capital, as lacunas na transparência e na disponibilidade de dados podem dificultar a identificação rápida de vulnerabilidades ou de riscos potenciais à estabilidade financeira”, dizem.
Os autores afirmam que formuladores de políticas de mercados emergentes devem monitorar a composição da base de investidores não bancários ao avaliar riscos à estabilidade financeira. Eles avaliam que uma combinação de medidas – como política monetária e câmbio flexíveis, complementadas, quando apropriado, por intervenção no mercado de câmbio, além de ferramentas macroprudenciais – pode ajudar a conter vulnerabilidades e proteger contra riscos potenciais.
“Por fim, uma cooperação internacional mais sólida é essencial para preencher lacunas regulatórias e de dados e para limitar os efeitos transfronteiriços indesejáveis de choques financeiros globais”, concluem.
Contato: aline.bronzati@estadao.com
*Conteúdo elaborado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação da Broadcast
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