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FGV/André Braz: serviços pressionaram IPC-S de março e acenderam alerta para inflação

16 de março de 2026

Por Letícia Correia

São Paulo, 16/03/2026 – A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) da Fundação Getulio Vargas na segunda quadrissemana de março acendeu um sinal de alerta com a volta da pressão recebida do setor de serviços. Entre as principais influências do índice aparecem itens como serviços bancários, aluguel residencial, planos de saúde, além de taxas de água e esgoto. Para o coordenador do índice, André Braz, o comportamento desses grupos merece atenção por seu peso no orçamento das famílias e pela persistência que costumam ter na inflação.

O IPC-S acelerou a 0,26% na segunda quadrissemana de março, após leve aceleração de 0,04% na primeira quadrissemana e queda de 0,14% no encerramento de fevereiro.

O coordenador lembra que os serviços e preços monitorados foram os principais vilões da inflação no ano passado e voltam a chamar atenção. “Quando a gente olha as maiores influências do índice, monitorados e serviços dominam a cena. Esse é um traço preocupante”, afirma.

Além dessa pressão, Braz avalia que o cenário inflacionário pode ser disseminado para outros grupos e tornar ainda mais desafiador caso se mantenham os choques vindos do petróleo. “Essa pressão pode se tornar mais disseminada porque o petróleo é matéria-prima para vários segmentos. Ele pode afetar desde o querosene de aviação e as passagens aéreas até o gás de botijão, além de elevar custos no agronegócio, já que máquinas usam diesel, o que pode encarecer a produção de alimentos”, avalia.

Diante desse quadro, o economista avalia que o risco para a inflação deste ano aumentou. “Já acho que aumentou muito o risco de superarmos o teto da meta. Dependendo da duração desses choques, a inflação pode até passar de 4,5% em 2026”, alerta.

Contato: leticia.silva@estadao.com

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