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Fed: Powell vê pressão do Oriente Médio na inflação e reforça cautela em política monetária

30 de março de 2026

Por Pedro Lima

São Paulo, 30/03/2026 – O presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, afirmou que a escalada de tensões no Oriente Médio tende a pressionar os preços de energia e adiciona incerteza ao cenário inflacionário, reforçando a postura cautelosa da autoridade monetária. Segundo ele, o choque atual deve ser analisado como derivado de oferta, sobre o qual a política monetária tem efeito limitado no curto prazo.

Durante evento na Universidade de Harvard, Powell destacou que episódios desse tipo costumam ser transitórios e que, por isso, a tendência do Fed é “olhar através” de choques de energia. “Choques de energia tendem a ir e vir com bastante rapidez”, disse, acrescentando que agir com juros pode ter efeito defasado e inadequado quando o impacto já tiver passado. “Ainda não sabemos quais serão os efeitos econômicos da guerra entre EUA, Israel e Irã”, disse.

Ainda assim, o dirigente enfatizou que o ponto central é evitar desancoragem das expectativas inflacionárias ao monitorá-las “cuidadosamente”. O chefe do BC americano alertou que choques sucessivos podem levar empresas e consumidores a esperar inflação persistentemente mais alta.

No cenário atual, Powell reconheceu que a economia americana ainda não consolidou a inflação em 2% e que o Fed permanece atento ao contexto mais amplo. “Temos nos aproximado de 2%, mas nunca realmente chegamos lá e permanecemos nesse nível”, disse.

O presidente do Fed acrescentou que tarifas comerciais também têm pressionado os preços, estimando impacto entre 0,5 e 1 ponto porcentual na inflação, embora classifique o efeito como pontual. Diante desse quadro – somando tarifas e riscos geopolíticos – Powell afirmou que a política monetária está “em um bom lugar para esperar e ver” a evolução dos dados e dos desdobramentos no Oriente Médio antes de qualquer ajuste.

Contato: pedro.lima@estadao.com

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