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Fechamento câmbio: Dólar fecha praticamente estável em dia de cautela e segue abaixo de R$ 5,00

15 de abril de 2026

Por Antonio Perez

São Paulo, 15/04/2026 – Após rondar a estabilidade ao longo da tarde, o dólar à vista encerrou a sessão desta quarta-feira, 15, cotado a R$ 4,9922 (-0,03%). Na ausência de sinais concretos de avanços nas negociações entre Estados Unidos e Irã para pôr fim ao conflito no Oriente Médio, houve apetite bem limitado por divisas emergentes.

Operadores pontuam que investidores aguardam novos gatilhos para ampliar posições na moeda brasileira, sobretudo após o dólar ter furado o piso de R$ 5,00, acumulando baixa de 3,60% em abril. O recuo do Ibovespa, em aparente realização de lucros, também sugere uma moderação pontual do apetite estrangeiro por ativos locais.

Na abertura do pregão, o dólar até esboçou um movimento de alta mais firme, ultrapassando o nível dos R$ 5,00, ao registrar máxima a R$ 5,0024. Mas o ímpeto comprador se desfez após a primeira hora de negociações. A divisa passou o resto da sessão trabalhando na casa de R$ 4,99, depois de mínima a R$ 4,9850. Com o recuo de 0,03% de hoje, o dólar emendou seis pregões consecutivos de queda em relação ao real, voltando a níveis vistos no fim de março de 2024.

O sócio da Valor Investimentos Gustavo Trotta ressalta que o dólar também apresentou oscilações modestas no exterior, em especial na comparação com divisas fortes, o que mostra uma postura mais cautelosa por parte dos investidores. “O mercado está tentando entender quais serão os próximos desdobramentos no Oriente Médio”, afirma Trotta.

Referência do comportamento da moeda americana em relação a uma cesta de seis divisas fortes, o índice DXY andou de lado na maior parte do dia e apresentava ligeiro recuo no fim da tarde, pouco acima dos 98,000 pontos. O iene subiu cerca de 0,10% frente ao dólar após relatos de conversas entre autoridades japonesas e americanas sobre medidas cambiais. Entre pares do real, destaque negativo para perda de mais de 1% do peso colombiano. Já os pesos mexicano e chileno rondaram a estabilidade.

À tarde, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, negou informação de que os Estados Unidos teriam ao Irã solicitado uma extensão do cessar-fogo. Ela afirmou que a próxima rodada de negociações deve ocorrer em Islamabad, com o Paquistão atuando como “único mediador”. Ontem à noite, Donald Trump disse que a guerra contra o Irã “está muito perto do fim” e que Teerã “quer muito favor um acordo”. Já Israel descartou hoje a possibilidade de um cessar-fogo com o Líbano e reforçou que continuará a atacar a base do Hezbollah, grupo xiita ligado ao Irã.

À tarde, o Banco Central informou que o fluxo cambial total foi negativo em US$ 1,303 bilhão na primeira semana de abril (de 6 a 10), com saídas líquidas de US$ 1,066 bilhão pelo canal financeiro. No mês, até o dia 10, o saldo foi negativo em US$ 750 milhões, com retiradas líquidas de US$ 678 milhões do lado financeiro. Esses números contrastam com o relato de operadores de aumento de entrada de recursos de investidores não residentes para ativos domésticos.

O economista Sérgio Goldenstein, sócio-fundador da Eytse Estratégia, destaca que a apreciação do real entre os dias 3 e 10 de abril – período de fluxo negativo – esteve alinhada ao comportamento global do dólar, com o DXY recuando de 100,03 pontos para 98,65 pontos. “O peso mexicano e o rand sul-africano, moedas pares, apreciaram um pouco mais com o real. Em outras palavras, a apreciação do real foi alinhada com a trajetória de outras moedas emergentes”.

Contato: antonio.perez@estadao.com

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