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Febraban/Isaac Sidney: consignado privado traz maior previsibilidade de liquidação do crédito

8 de abril de 2026

Por André Marinho

São Paulo, 08/04/2026 – O presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, afirmou hoje que o novo programa de consignado privado eliminou custos operacionais antigos da modalidade e trouxe maior previsibilidade na liquidação do crédito.

Em painel sobre o tema durante evento organizado pelo Bradesco BBI, em São Paulo, ele disse que 9,5 milhões de trabalhadoras acessaram a linha desde a criação do novo modelo. “Esse é um produto não só promissor, mas um produto que já deu certo”, ressaltou.

Sidney disse ainda que o programa já havia tido originação de cerca de R$ 90 bilhões. O número, no entanto, foi corrigido logo em seguida pelo CEO do Dataprev, Rodrigo Assumpção, responsável pela plataforma de operacionalização do sistema. Segundo ele, já foram originados R$ 120 bilhões no período.

Os dois indicaram divergência sobre o modelo de implementação da estrutura de garantias associadas ao consignado privado, que deve ser liberado no mês que vem, de acordo com Assumpção.

O governo defende que o acesso a essas garantias seja centralizado na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) Digital, enquanto as instituições financeiras defendem que seja via canais próprios. “Hoje, 70% da concessão de crédito privado do trabalhador é feita em canais próprios”, argumentou Isaac. “É importante que essas garantias não sejam acertadas apenas com a CTPS digital”, destacou.

Assumpção alegou que havia expectativa por uma queda nos juros sobre a modalidade com as melhorias nos sistemas implementadas desde o ano passado. “E a queda de juros médio não veio”, criticou.

O chefe da Febraban, porém, comentou que, para tomadores de crédito com faixa de renda de até 4 salários mínimos, houve redução de 29% na taxa média de juros em comparação com o crédito pessoal não consignado. Também houve aumento de 112% na concessão de crédito, de acordo com ele. Para faixas de até 10 salários, esse aumento foi de 77%. “Também queremos que os juros cheguem a um patamar menor”, disse.

Para Sidney, o governo acertou ao evitar impor teto de juros ao consignado privado. No entendimento dele, os limites incidentes sobre o consignado do INSS não condizem com os riscos e custos.

No mesmo painel, o CEO do PicPay, Eduardo Chedid, reforçou a importância da linha para os negócios do banco digital, que abriu capital em Nova York no começo deste ano. Segundo ele, a fintech tem cerca e 5% de participação de mercado em termos de carteira. Na visa dele, o novo modelo “democratiza” a folha de pagamento como instrumento de cobrança, antes dependente de acordos bilaterais dos bancos com cada empresa.

Contato: andre.marinho@estadao.com

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