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17 de abril de 2026
Por Felipe de Paula e Fausto Macedo, do Estadão
São Paulo, 17/04/2026 – A Procuradoria da República em São Paulo denunciou 13 alvos da segunda fase da Operação Narco Azimut, deflagrada em março pela Polícia Federal. Os acusados integram um grupo criminoso especializado na lavagem com criptoativos e ocultação de bens do tráfico internacional de drogas, além da operação de rifas e bets ilegais. A investigação da PF aponta que os denunciados movimentaram mais de R$ 262 milhões ao longo de 2025, com lastro financeiro em negócios do Primeiro Comando da Capital (PCC).
As investigações que sustentam a acusação deram continuidade às Operações Narco Vela e Narco Bet e à primeira fase da Narco Azimut, ocorrida em janeiro deste ano.
Na última quarta-feira, 15, a Polícia Federal foi às ruas em mais um desdobramento dessas operações, deflagrando a ‘Narco Fluxo’. Os federais prenderam 33 suspeitos de lavarem dinheiro do tráfico de drogas, incluindo MC Ryan SP, MC Poze do Rodo, o dono da página ‘Choquei’, influenciadores e donos de produtoras de funk. As defesas negam os ilícitos.
A denúncia da Narco Azimut II é a 12ª acusação que o Ministério Público Federal apresenta contra os integrantes do esquema. As provas colhidas após o cumprimento dos mandados de busca e apreensão na segunda fase da Narco Azimut revelam que os 13 envolvidos “constituíam um grupo altamente estruturado, com coordenação e divisão de tarefas entre seus membros”, segundo a Procuradoria.
De acordo com as investigações, os denunciados efetuaram “inúmeras manobras com o objetivo de dificultar a fiscalização das transações, mascarar a origem ilícita do dinheiro e reincorporá-lo ao sistema econômico”. Entre as práticas identificadas estão a fragmentação de operações, a pulverização de recursos em múltiplas contas, a adoção de mecanismos informais de compensação e o uso ‘laranjas’ para maquiar as movimentações.
Em 26 de março, a Polícia Federal cumpriu 26 mandados de busca e apreensão e de prisão temporária em São Paulo, Ilhabela, Taboão da Serra e Balneário Camboriú no âmbito da Operação Narco Azimut II.
A Justiça determinou o sequestro de bens e valores dos investigados até o limite de R$ 934 milhões, além da imposição de restrições societárias, incluindo a proibição de movimentação empresarial e de transferência de bens vinculados às atividades ilícitas. As transações eram realizadas em espécie e por meio de transferências bancárias, Pix e operações com criptoativos.
Primeira fase já havia atingido investigados por lavar dinheiro
A primeira fase da Operação Narco Azimut, em 21 de janeiro, atingiu investigados por lavar dinheiro do crime organizado e movimentar cerca de R$ 39 milhões por meio de criptoativos. Segundo a investigação, os integrantes do grupo, conhecidos pelos vulgos ‘Azimut’, ‘Jimmy’, ‘ZK Pantanal’, ‘Biel Work’, ‘Bilu’ e ‘Nando New’, atuavam em uma “dinâmica estruturada”, integrada a um “esquema sofisticado” a serviço do crime organizado.
Os sete alvos da Polícia Federal na operação de janeiro foram Davidson Praça Lopes, o ‘Azimut’, apontado como líder do esquema de lavagem com criptoativos; Fernando Henrique Cateano da Cunha, o ‘Jimmy’, sócio de Davidson e responsável pela movimentação das criptomoedas; Ezequiel da Silva, o ‘ZKPantanal’, descrito como gestor estratégico do grupo criminoso; João Gabriel de Jesus Fernandes, o ‘Biel Work’, operador logístico do esquema; Rafael Pio de Almeida, o ‘Bilu’, responsável pelo transporte de dinheiro vivo na Baixada Santista; Marcelo Henrique Antunes da Palma, apontado como intermediário de operações de alto valor; e Júlio Cesar Oliveira Otaviano, o ‘Nando New’ encarregado do repasses de valores por meio de transferências bancárias e criptoativos.
O Estadão busca contato com a defesa dos investigados. O espaço está aberto.
No curso das investigações, os federais interceptaram um grupo no WhatsApp, chamado de ‘X Azimut’, voltado “exclusivamente à operacionalização financeira” do esquema, “posteriormente migrado para o aplicativo de conversas Signal, tudo com o objetivo de reforçar o sigilo das comunicações de natureza espúria”, diz a decisão do juiz Roberto Lemos dos Santos.
A atuação dos suspeitos, segundo a PF, “configura um verdadeiro sistema financeiro paralelo, operando à margem do controle estatal e do sistema bancário formal”.
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