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16 de abril de 2026
Por Fausto Macedo e Felipe de Paula, do Estadão
São Paulo, 16/04/2026 – O ex-deputado federal Uldurico Alencar Pinto, o Uldurico Júnior, foi preso preventivamente na manhã desta quinta-feira, 16, durante a Operação Duas Rosas, deflagrada pelo Ministério Público da Bahia por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco). O Estadão busca contato com a defesa.
As investigações apontam que o ex-deputado negociou com o Comando Vermelho recebimento de R$ 2 milhões para facilitar uma fuga em massa do Conjunto Penal de Eunápolis, em dezembro de 2024 – na ocasião, 16 internos escaparam, entre eles o traficante Ednaldo Pereira de Souza, o “Dadá”, liderança do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), facção com atuação regional e vínculo com o Comando Vermelho, segundo os promotores.
O nome “Duas Rosas” atribuído à operação faz referência ao valor estimado da vantagem indevida que teria sido paga ao ex-parlamentar, que foi preso em um hotel na Praia do Forte.
Ao longo das apurações, segundo a Promotoria, verificou-se que a expressão “rosa” era utilizada de forma codificada para se referir a dinheiro, aparecendo em diálogos e tratativas sob termos como “as rosas”, “quando as rosas vão chorar” ou “choram as rosas”, em alusão “ao efetivo pagamento dos valores negociados”.
“Dadá” se encontra atualmente no Rio de Janeiro, de onde continua comandando ações criminosas na região de Eunápolis, no extremo Sul da Bahia, afirma o Ministério Público por meio dos promotores do Gaeco, unidades da capital e regional Sul. Participam da operação agentes do Grupo de Atuação Especial em Execução Penal (Gaep).
Também foram cumpridos mandados de busca em Salvador, Camaçari, Teixeira de Freitas, Eunápolis e Porto Seguro, contra um ex-vereador de Eunápolis e um advogado. Os mandados foram expedidos pela 1.ª Vara Criminal de Eunápolis.
A Operação Duas Rosas aponta que a fuga dos presidiários não teria ocorrido “de forma isolada ou fortuita”, mas estaria inserida em um “contexto de articulação criminosa estruturada, envolvendo integrantes da organização criminosa PCE, e o ex-deputado federal, com a utilização de influência política e institucional”.
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