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Faesp: crise geopolítica abre espaço para maior mistura de etanol e biodiesel

9 de abril de 2026

Por Gabriel Azevedo

São Paulo, 09/04/2026 – A crise geopolítica que pressiona os custos de fertilizantes, combustíveis e logística no agronegócio brasileiro abriu espaço para o País acelerar a elevação da mistura de etanol anidro na gasolina e de biodiesel no diesel. A avaliação é da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), cujo diretor do Departamento Econômico, Cláudio Brisolara, afirmou, ontem (8), durante Seminário Lide Agronegócio, em São Paulo, que já há proposta em discussão no governo para elevar o teor de etanol anidro de 30% para 32% ou 35% e a mistura de biodiesel de B15 para B17. “Tecnicamente isso é viável, temos oferta de produto, por que não fazer?”, afirmou. “Eu acho que não tem razão nenhuma para não fazermos isso.”

Segundo Brisolara, a ampliação da mistura reduziria de imediato a participação dos combustíveis fósseis na matriz energética, ajudaria a amortecer a volatilidade dos custos e reforçaria a estratégia nacional de descarbonização. Na avaliação dele, o momento atual guarda semelhanças com o choque do petróleo da década de 1970, que deu origem ao Proálcool e impulsionou a cadeia de biocombustíveis no País. “Talvez agora esse momento seja um novo impulsionador para a gente robustecer ainda mais os nossos programas”, disse.

O economista da Faesp afirmou que a piora do ambiente geopolítico já chegou ao campo. Segundo ele, a alta do petróleo elevou os preços dos fertilizantes entre 15% e 20%, encareceu combustíveis e, em algumas localidades, provocou desabastecimento. Num horizonte mais longo, de uma safra, disse, esses efeitos podem se traduzir em menor oferta de produtos, preços mais altos e maior dificuldade de acesso do consumidor aos alimentos.

Brisolara observou, ainda, que o etanol, produzido com apenas 1,5% da área do Brasil, já substitui 40% dos combustíveis líquidos consumidos no País, o que reduz a exposição brasileira a choques externos no mercado de petróleo. “O etanol não passa por aqui”, afirmou, ao recuperar uma frase que, segundo ele, já circulava em crises anteriores e voltou a fazer sentido no cenário atual.

Segundo ele, o Brasil já dispõe de legislação e instrumentos para ampliar o uso de biocombustíveis em frotas pesadas, na navegação e na aviação, com iniciativas como o programa Mover e a Lei do Combustível do Futuro. “Nos parece a hora de acelerar, aproveitar esse momento”, afirmou.

Contato: gabriel.azevedo@estadao.com

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