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9 de abril de 2026
Por Leandro Silveira
São Paulo, 09/04/2026 – As exportações em alta e o consumo interno resiliente devem continuar sustentando os preços da carne bovina ao longo de 2026, mesmo diante de incertezas relacionadas à cota chinesa e ao ambiente externo, segundo avaliação da Scot Consultoria. “A exportação vem sendo um importante ponto de sustentação do preço da arroba do boi gordo”, afirmou a analista Juliana Pila, durante o Encontro de Confinamento e Recriadores, promovido pela Scot Consultoria.
Ela lembrou que mesmo com produção elevada nos últimos anos, o avanço das vendas externas reduziu a disponibilidade interna em 2025 e ajudou a evitar uma pressão maior de baixa sobre as cotações. “A disponibilidade de carne no mercado interno acabou diminuindo, considerando que a gente teve um aumento da exportação”, disse.
No mercado doméstico, o consumo também está firme e reforça a sustentação dos preços. No primeiro trimestre de 2026, a carne bovina registrou valorização, enquanto proteínas concorrentes recuaram. “O preço da carne subiu porque tem mercado”, afirmou o CEO da Scot, Alcides Torres. Segundo ele, a carne bovina avançou 16% no período, enquanto o frango caiu 11% e a carne suína recuou 22%.
A consultoria avalia que o consumo interno tem atuado como complemento relevante às exportações na formação de preços. “O consumo interno também vem sendo um importante driver com relação à precificação da arroba”, afirmou Pila.
Para o restante de 2026, a expectativa ainda é de bons volumes exportados, mas com maior atenção ao segundo semestre, quando podem surgir sinais de desaceleração da China, além de impactos de conflitos geopolíticos e questões comerciais.
Do lado doméstico, há fatores adicionais que podem sustentar a demanda ao longo do ano, como aumento de renda disponível, eventos como a Copa do Mundo e o ciclo eleitoral, além do reforço de renda no fim do ano. “Quando a gente olha para o consumo interno, ainda temos fatores que colaboram para a continuidade dessas vendas e manutenção de bons patamares de preço”, afirmou Pila.
Contato: leandro.silveira@estadao.com
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