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10 de março de 2026
Por Isadora Duarte*
Não-Me-Toque, RS, 10/03/2026 – Produtores rurais do Rio Grande do Sul suspendem os trabalhos de campo em meio à falta de diesel nas lavouras. Os relatos ouvidos pelo Broadcast Agro são de interrupção nos trabalhos em lavouras de soja e de arroz. Produtores relatam cancelamento de entrega ou reagendamento de cargas de combustíveis pelos Transportadores Revendedores Retalhistas, responsáveis pela distribuição de diesel nas propriedades rurais desde a última sexta-feira (6).
Os relatos de problemas começaram na última sexta-feira (6), em meio à escalada do conflito no Irã e da disparada dos preços do petróleo. O motivo alegado, segundo os produtores, é a suspensão da distribuição dos combustíveis pelas refinarias.
Em Coxilha, no norte do Estado, a Fazenda Cambará aguarda a retomada do abastecimento de diesel pelos fornecedores para a colheita da soja. “A colheita está parada por causa do óleo diesel. Há especulação das revendas com o preço do diesel. O custo está altíssimo com o preço do diesel nas alturas”, disse o gerente técnico da propriedade, Luiz Fernando de Oliveira Branco, ao Broadcast Agro, durante visita à lavoura. Branco relatou que contatou três fornecedores diferentes e nenhum deles possuía diesel a pronta entrega. “Eles não estão entregando porque provavelmente vão aumentar os preços, estão esperando para ver como fica o preço”, disse Branco, em relação à disparada do petróleo, que chegou a US$ 120 por barril.
O relato também chega às sementeiras, que iniciam a colheita de soja na região, conta a diretora comercial na Sementes Butiá, Verônica Bertagnolli. As operações da indústria não foram afetadas, segundo Bertagnolli, por antecipação das compras e entregas logo no início do conflito. “O diesel representa um custo bem elevado dentro da produção. Isso nos assusta. Nós já estávamos preparados para o início da safra com diesel em casa, mas produtores comentam o atraso e cancelamento de entregas. Há medo no setor de não não conseguir fazer a colheita”, afirmou Bertagnolli.
A percepção é compartilhada pela indústria. Executivo de indústria na região afirmou ao Broadcast Agro ter recebido comunicado de fornecedor sobre demora para entrega de novos lotes, sem previsão de entrega. “Monitoramos a situação e reforçamos o estoque ao longo da última semana para evitar interrupções na colheita”, disse o executivo.
A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) informou à reportagem que a situação persiste. Em nota, a Farsul ressaltou a gravidade da situação, em virtude da colheita da safra de verão. “O atraso no trabalho faz com que as lavouras fiquem expostas a intempéries em um estado que já vem sofrendo volumoso prejuízo pelo acúmulo de perdas em razão de eventos climáticos, impactando em toda economia gaúcha”, acrescentou a Farsul.
A dificuldade de abastecimento ocorre em um dos momentos de maior utilização do diesel no campo, durante as operações mecanizadas nas lavouras e no escoamento da safra de verão.
Em nota enviada à reportagem, a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou que “mantém o monitoramento contínuo do mercado regulado, inclusive com acompanhamento diário dos estoques”. “Até o momento, a Agência não identifica restrições à manutenção das atividades ou à disponibilidade de combustíveis no mercado doméstico, considerando as fontes usuais de suprimento do País”. A ANP está mantendo ainda conversas próximas com os agentes para entender as queixas, principalmente dos TRR (Transportador-Revendedor-Retalhista). “A Agência está acompanhando de perto, analisando e atuando para que não falte produto” disse a agência. No sábado, a ANP havia reconhecido dificuldade pontual no Rio Grande do Sul.
*A jornalista viaja a convite da Bayer
Contato: isadora.duarte@estadao.com
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