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30 de março de 2026
Por Aramis Merki II
São Paulo – A VoxFi, plataforma brasileira de negociação de contratos de previsão sobre eventos futuros, entrou hoje em operação para o público geral. Criada pelos empreendedores Fernando Carvalho, fundador da QR Capital, e Luis Felipe Carvalho, do banco digital NG.Cash, a empresa já opera em uma versão beta, restrita a convidados, e chega ao mercado com a proposta de participar ativamente da regulação desta atividade.
O movimento da VoxFi acompanha uma proliferação global dos mercados de previsão. São plataformas digitais em que participantes negociam contratos que refletem o resultado de acontecimentos futuros. Neste mercado, pode-se “apostar” se um fato vai ou não vai ocorrer. O preço dos contratos passa a refletir a probabilidade de que o evento ocorra. Os sócios dizem que esta é uma nova modalidade de investimento, não um nicho de apostas equiparado às bets esportivas.
No País, o setor já conta com iniciativas como a parceria da corretora XP com a plataforma americana Kalshi para oferecer acesso a contratos no exterior, enquanto a própria B3 já manifestou publicamente estar debruçada sobre o tema para futuras explorações.
O principal desafio para a VoxFi é a ausência de uma regulação específica para mercados de previsão no Brasil. A empresa diz estar em constante contato com os reguladores. Diante deste cenário, Fernando Carvalho detalhou que a plataforma será lançada sem temáticas que se aproximam de esferas já reguladas. Com isso, não haverá mercados sobre esportes, cuja regulação é da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), ativos financeiros precificáveis, por se aproximarem da esfera da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e temas eleitorais, por conta da regulação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A atuação inicial será focada em temas como geopolítica, macroeconomia e cotidiano, em que não há regras definidas, operando sob a tese de jogo de habilidade.
Fernando é o fundador da QR Capital, uma das gestoras pioneiras em fundos com exposição a criptoativos no Brasil. “O cenário de incerteza regulatória que hoje paira sobre os mercados de previsão é muito similar ao que [o setor] cripto enfrentou no passado”, diz. O processo de informar órgãos reguladores e o público em geral para lançar o primeiro fundo de índice (ETF) de Bitcoin na B3, segundo ele, serviu de aprendizado para a criação de um novo ambiente de investimentos no País. Após vender sua participação na QR Capital em abril de 2025, ele enxergou nos mercados de previsão uma oportunidade semelhante.
Já Luiz Felipe tem no histórico a fundação do banco digital NG.Cash, focado em clientes da geração Z. Ele diz acompanhar o setor de predição há mais de uma década, desde os primeiros projetos em blockchain na rede Ethereum. “No final de 2024 e começo de 2025 é que os Estados Unidos, após ter a regulação, viveu um ponto de inflexão. Para mim, ali ficou claro que o modelo de negócio iria se propagar para o mundo inteiro”, afirmou.
A dupla de empresários tem a percepção de que o investidor brasileiro demonstra uma crescente demanda por ativos de maior risco – e classificam os contratos de previsão como uma alternativa para este público. Fernando cita o exemplo do crescimento de cripto, além dos recordes de pessoas expostas à renda variável. Para ele, o mercado de previsão apenas expande a variedade de temas sobre os quais é possível investir. “Plataformas como a VoxFi permitem que as pessoas montem posições em temas com os quais têm mais familiaridade e conforto, reduzindo a assimetria de informação que existe, por exemplo, entre um investidor comum e um analista profissional do mercado de ações.”
Como funciona
Os contratos são estruturados com um preço de R$ 1. Se um usuário (A) entender que um evento tem probabilidade de 70% de ocorrer até uma determinada data, ele compra um contrato “sim” no valor de R$ 0,70. Enquanto isso, do outro lado do livro de ofertas, outro usuário (B), avaliando que o mesmo evento tem 30% de probabilidade de não ocorrer, compra um contrato “não” no valor de R$ 0,30, totalizando R$ 1 por contrato. Se o evento acontece no prazo determinado, o usuário A recebe o total. Caso contrário, quem recebe o total é o usuário B.
A criação dos contratos será totalmente definida pela equipe da VoxFi, e não pelos usuários. Fernando Carvalho justifica que esta é uma tarefa complexa. Um modelo aberto traz riscos, como a possibilidade de ambiguidades na resolução de um evento ou até a participação de um usuário no resultado, de acordo com o executivo. “A nossa preocupação é garantir que todos os contratos tenham uma solução clara e uma fonte de resultado (oráculo) indiscutível.”
O conceito de mercados de previsão não é novo e tem raízes no meio acadêmico, com o Iowa Electronic Markets (IEM), criado em 1988, sendo um dos pioneiros em usar este mecanismo para prever resultados eleitorais com notável precisão. O caminho para a aceitação comercial nos Estados Unidos, no entanto, foi longo e dependeu da supervisão da Commodity Futures Trading Commission (CFTC), a agência federal que regula os mercados de derivativos. O principal desafio regulatório foi enquadrar os contratos de previsão como instrumentos financeiros legítimos (contratos de eventos), distinguindo-os legalmente de jogos de azar.
Este ambiente regulatório deu origem a dois modelos principais que hoje se destacam globalmente. De um lado, está a Kalshi, que em 2021 se tornou a primeira e única plataforma de previsão a obter a licença de “Mercado de Contrato Designado” da CFTC, operando de forma totalmente regulada nos EUA. Do outro, a Polymarket ganhou enorme popularidade ao operar de forma descentralizada, utilizando criptomoedas e atuando numa zona regulatória cinzenta, o que lhe permite oferecer mercados em temas mais controversos e de alto engajamento, como resultados de eleições.
Contato: merki@broadcast.com.br
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