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Exclusivo: Custo da cesta básica cai em metade das capitais monitoradas, diz Neogrid e FGV/Ibre

24 de março de 2026

Por Caroline Aragaki

São Paulo, 24/03/2026 – Os preços da cesta básica recuaram em quatro de oito capitais analisadas em fevereiro, segundo levantamento da Cesta de Consumo Neogrid e FGV/Ibre, obtido com exclusividade pela Broadcast.

Houve queda nos preços médios da cesta básica de consumo, de janeiro para fevereiro, nas cidades de Curitiba (-4,21%), Manaus (-2,69%), Fortaleza (-2,22%), e Rio Janeiro (-1,65%). Já São Paulo (0,03%), Salvador (0,12%), Belo Horizonte (0,86%) e Brasília (0,81%) registraram aumento nos preços.

Nas capitais, entre a cesta básica mais barata (Belo Horizonte, a R$ 723,64) e a mais cara (Rio de Janeiro, R$ 973,11) há uma diferença de custo de 43,5%, decorrente das assimetrias estruturais em logística, tributação (ICMS estadual) e concentração de oferta no varejo alimentar, aponta o levantamento.

O Rio de Janeiro até viu o preço da cesta básica recuar dos R$ 989,40 em janeiro para R$ 973,11 em fevereiro (-1,65%), mas a alta densidade urbana, a logística interna mais cara e um padrão de consumo que pressiona principalmente os preços de proteínas e alimentos frescos justificam o Rio convivendo com custos elevados de forma persistente, acrescenta.

Já Belo Horizonte registrou a maior alta mensal entre todas as capitais em fevereiro, de 0,86%, com a cesta passando de R$ 717,49 para R$ 723,64. No semestre, o avanço acumulado é de 2,64%, em movimento que pode estar refletindo reajustes graduais em laticínios e alimentos processos, que têm preço relevante na cesta da região.

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Semestre

No acumulado dos últimos seis meses, o comportamento da cesta básica apresentou trajetórias bastante distintas entre as capitais monitoradas. Brasília liderou as altas com 3,81%, saindo de R$ 806,83, em setembro de 2025, para R$ 837,60 em fevereiro de 2026, o maior avanço acumulado do período. Na sequência, Belo Horizonte registrou aumento de 2,64%, partindo de R$ 705,02 para R$ 723,64, e Salvador avançou 1,68%, de R$ 835,98 para R$ 850,03. São Paulo apresentou crescimento mais contido, de 1,38%, encerrando o semestre em R$ 953,56.

No sentido oposto, Curitiba registrou a maior queda acumulada do monitoramento, recuo de 3,77%, saindo de R$ 802,07 para R$ 771,88. Rio de Janeiro também encerrou o semestre em queda, com retração de 2,07%, passando de R$ 993,64 para R$ 973,11. Ainda assim, manteve-se como a cesta mais cara entre todas as capitais. Fortaleza e Manaus completam o grupo de capitais com variação negativa no semestre, recuando 1,30% e 0,87%, respectivamente.

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Itens

No contexto mensal de fevereiro de 2026, as principais pressões de alta no custo da cesta básica concentraram-se em legumes, ovos e feijão, com comportamento bastante desigual entre as capitais. Em Salvador, o grupo dos legumes registrou avanço mais expressivo do período (12,76%), tornando-se o principal vetor de pressão.

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Por outro lado, itens essenciais exerceram papel relevante na moderação do custo final da cesta básica em fevereiro de 2026, com açúcar, arroz, manteiga e óleo registrando reduções expressivas em diversas capitais, contribuindo para conter uma alta mais generalizada. Rio de Janeiro e Curitiba destacaram-se pela queda do arroz (-4,02% e – 3,13%, respectivamente), enquanto Belo Horizonte registrou o maior recuo na manteiga (- 3,49%) e São Paulo liderou a retração no açúcar (-3,62%).

Metodologia

A Cesta de Consumo Neogrid e FGV/Ibre monitora, por meio da leitura mensal de mais de 35 milhões de notas ficais, duas cestas de consumo: a Cesta de Consumo Básica, com 22 alimentos básicos de maior presença nas compras, e a Cesta de Consumo Ampliada, contendo mais de 50 produtos de consumo, incluindo bebidas e itens de limpeza, higiene e beleza.

Contato: caroline.aragaki@estadao.com

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