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9 de março de 2026
A incorporadora Even abandonou de vez os empreendimentos destinados à classe média – a mais prejudicada pelos juros altos dos financiamentos – e vai aprofundar a estratégia de vender imóveis de alto padrão e luxo, destinados a um público de maior poder aquisitivo, junto ao lançamento de uma nova logomarca.
Os projetos para classe média “típica” envolvem apartamentos geralmente vendidos na faixa de R$ 500 mil a R$ 1,5 milhão em São Paulo, o que exige uma renda familiar média de R$ 20 mil a R$ 45 mil, aproximadamente. Nessa faixa, os compradores não têm poupança suficiente e dependem de crédito para fechar a compra, mas os negócios estão sendo prejudicados pelos juros altos da economia brasileira, o que fez muitas empresas a deixaram o segmento de lado.
“Os empreendimentos ficaram pressionados pela alta dos custos de produção, e os clientes têm dificuldade de tomar crédito”, apontou o presidente da Even, Márcio Botana Moraes. O empresário explicou que esse cenário limita a possibilidade de subida dos preços para acompanhar a inflação e prejudica a margem de lucro. “Para essa classe média típica, é muito difícil a Even atuar”, afirmou.
Já o público de renda mais elevada toma pouco ou nenhum financiamento, o que favorece as vendas de imóveis e a manutenção das margens em níveis mais saudáveis. Por isso, a Even se reposicionou, nos últimos anos, para atuar com lançamentos que partem de R$ 2 milhões e podem chegar a R$ 60 milhões, preço da cobertura do luxuoso Faena, um dos seus residenciais em obras. “Temos visto uma resiliência muito boa nesse mercado. Esse cliente de alta renda passa quase inerte às questões macroeconômicas”, complementou o diretor financeiro da Even, Marcelo Dzik.
A Even surgiu em 2002, a partir da fusão entre ABC Investimentos e Terepins & Kalili. Desde então, atuou em vários segmentos, que vão de projetos residenciais e comerciais para públicos de quase todas as faixas de renda. Em 2020, o tíquete médio de venda girava em torno de R$ 1 milhão. Hoje, está em R$ 5 milhões.
Ao longo de 2025, essa nova estratégia ficou clara. A incorporadora lançou seis empreendimentos em São Paulo, dos quais três foram classificados como projetos de luxo. Entre eles, está o São Paulo Bay, com 280 apartamentos ao preço de R$ 5 milhões cada, com mais de 60% vendidos em menos de um ano.
O condomínio tem vista para a Ponte Estaiada e direito de uso do clube de surfe vizinho, na Marginal Pinheiros. Outro destaque é o Plenitude Melo Alves, no disputado Jardins, feito com a incorporadora sócia RFM. Ali são 33 unidades com valor médio de R$ 24 milhões.
Nova identidade
Diante deste reposicionamento, a Even decidiu mudar a sua identidade visual. A empresa está lançando uma logomarca com letras em caixa alta e traços mais finos, inspiradas nas linhas arquitetônicas de suas melhores fachadas. Junto, vem o slogan “em cada detalhe, você”, com o intuito de colocar o cliente no centro das atenções.
“Conseguimos nos consolidar nessa área de alto padrão e resolvemos reposicionar a marca para acompanhar essa estratégia”, disse Moraes. “Chegamos a ver modelos mais sutis, mas optamos por uma transformação maior, porque a empresa de fato passou por um reposicionamento nos últimos anos”, contou Dzik.
Para 2026, a companhia estima lançar entre quatro a seis empreendimentos, com valor geral de vendas (VGV) em torno de R$ 2 bilhões a R$ 2,5 bilhões. O montante está em linha com o realizado em 2025 (R$ 2,49 bilhões) e dentro do tamanho anual de operações que a empresa vislumbra ter continuamente. “Nossa estratégia de lançamentos sempre vai depender da situação da demanda. Em anos difíceis, faremos um pouco menos que isso, para não forçar o mercado. Em anos bons, lançaremos um pouco mais, mas sem gigantismo”, observou o diretor financeiro.
Os próximos empreendimentos continuarão em bairros nobres, como Itaim, Pinheiros, Campo Belo e Vila Mariana, todos em São Paulo. Um dos destaques será um residencial de luxo na Av. República do Líbano, vizinha do Parque Ibirapuera, em parceria com a Benx. A Even planeja para este ano também dois projetos junto da RFM, parceira cujos imóveis têm tíquete médio de R$ 10 milhões.
A incorporadora, entretanto, não foi a única a apostar nesse mercado. O segmento de alto padrão respondeu por 79 dos 541 empreendimentos lançados em São Paulo no ano passado, segundo levantamento da consultoria Brain. Com isso, o setor respondeu por 15% dos lançamentos na capital paulista, um crescimento frente ao ano anterior, quando eram 9% do total.
Para o presidente da Even, o aumento da concorrência não é um problema. “O mercado de alto padrão teve muito oferta, mas também teve muita oferta errada. Esse cliente é mais exigente e não aceita um produto inferior, ou na localização errada. Se mudar a calçada, já pode fazer toda a diferença”, disse Moraes. “Quando o projeto é bom e está no preço certo, vende bem”, disse, rechaçando a hipótese de conceder descontos para fechar negócio.
O diretor financeiro complementou dizendo que, embora o estoque na cidade tenha crescido, as vendas continuam saudáveis. Na Even, o estoque também aumentou, mas apenas 10% são unidades prontas, com obras já concluídas, que geram custos de condomínio e manutenção. “O nosso estoque é jovem. Do total, 60% serão entregues só a partir de 2029, então não é preocupante”, afirmou Dzik.
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Apesar do foco no luxo, a Even avalia oportunidades dentro do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), programa que já responde por mais da metade dos lançamentos e vendas no País. Neste caso, a hipótese estudada pela companhia seria lançar projetos ao lado de parceiros especializados no segmento, que ficariam à frente das vendas e das obras dos residenciais, enquanto a Even entraria como investidora.
“Não vamos entrar diretamente, mas não quer dizer que não podemos experimentar um investimento em parceria”, disse o presidente da empresa. “Temos recebido ofertas, temos segurança de recursos em caixa. Vamos avaliar, vai depender do mercado.”
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